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Cozinhando Sem Crueldade
Autora: Ana Maria Curcelli

Este é um dos mais interessantes e completos livros sobre a culinária vegana. Também é um livro fundamental para as pessoas interessadas numa alimentação saudável, saborosa e "eticamente" correta.




Autor: Dr. Eric Slywitch

Este é o primeiro livro que ensina como montar o cardápio vegetariano através dos grupos alimentares, para qualquer tipo de dieta
vegetariana, 100%
embasado em artigos
científicos.


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  01/12/2006

Absorventes Veganos

Nada contra homens lerem o artigo, mas a maioria que eu conheço tem verdadeiro horror ao assunto. E nenhum vai efetivamente usar o produto, claro, mas os que se sentirem confortáveis, fico feliz que tomem conhecimento, até para depois conversarem com suas mulheres/namoradas/amigas.

Há algum tempo deparei-me com a questão de alternativas ao uso de absorventes higiênicos, pois segundo informações constantes dos Serviços de Atendimento ao Consumidor das empresas, há obrigatoriedade de testes em animais, baseados na Portaria 1.480 de 1990 da Anvisa.
Além disso, há uma discussão ecológica quanto aos absorventes higiênicos para o período menstrual, que demandam muita matéria prima e processos industriais constantes muito poluentes.

As soluções propostas normalmente são:
a) Para veganos: uso de absorventes descartáveis de fabricação "caseira", ou seja, de microempresas que possuem máquinas de fraldas e absorventes. O fato é que, nesse caso, continua o problema quanto à matéria prima.
b) Para veganos/ambientalistas: o uso de absorventes reutilizáveis, como os "paninhos" da época da vovó ou versões mais elaboradas como o Abiosorvente (que pode ser comprado ou feito em casa, com retalhos de flanela e eventualmente nylon) e LunaPads (mesma coisa, só que importado).

Pessoalmente, eu acho que os absorventes descartáveis realmente gastam ao longo de uma vida muita matéria prima que nem sempre é biodegradável (e demanda uma produção industrial constante). Assim, mesmo que não sejam testados, não são o melhor para o meio ambiente.
E os laváveis, convenhamos, não são a melhor opção pra quem trabalha fora o dia todo (pois é gerado um resíduo "lavável" que tem que ser armazenado até o fim do dia). Além disso, seria necessária uma quantidade grande para trocas constantes. Acho que podem ser utilizados como complementos pra ficar em casa, mas eu não me enquadraria para depender só disso.

Sou de uma geração que cresceu usando absorventes internos como OB e Tampax com certa facilidade e naturalidade. Eu, pelo menos, não me acostumo aos absorventes externos e sempre limitei o uso para o momento de dormir, embora saiba que até hoje os internos não são a opção mais popular no Brasil.

Há algum tempo eu já havia lido em uma revista feminina sobre um coletor chamado "The Keeper" que era feito em borracha (marrom, opaco). Na época (e isso faz - pelos meus cálculos - uns 10 anos), achei a aparência muito estranha e não entendi como se usava (até porque a foto estava genialmente invertida) - além disso, era apresentado como um produto quase "experimental" e que não existia no Brasil. Esqueci o assunto, mas nunca a imagem do produto.

Depois, acabei lendo mais alguns comentários, mas sempre de pessoas curiosas, nunca usuários. Portanto, o fato é: a maioria das mulheres nunca viu, e muito menos usou um coletor menstrual. Só que eu fiquei me coçando de curiosidade por um tempo e fui "obrigada" a comprar um (vivas à internet e à facilidade para adquirir produtos importados). Chegou mês passado, esse é o segundo ciclo que uso e agora me sinto segura pra comentar sobre o assunto.

Então, apresentando o produto pra quem nem sabe do que eu estou falando: uma espécie de "copinho" em material flexível (borracha ou silicone) que não permite absorção: o sangue é coletado e, depois, deve ser descartado (no vaso sanitário, na pia etc).

A aparência de coletores menstruais (com uma ou outra alteração, dependendo da marca) é essa (imagens da Wikipedia):


O local da colocação é esse:


Assim - IMPORTANTE - ao contrário de absorventes internos que são colocados próximo ao colo do útero, o coletor fica na primeira parte do canal vaginal. Importante porque ele tem que ficar ao alcance dos dedos, não deve ser forçado para o final - o que, aliás, foi o meu primeiro instinto, justamente por estar acostumada com absorventes internos, o que me deu um probleminha pra tirar o coletor no primeiro dia.

Por incrível que pareça, ele tem um sistema que envolve um pouco de vácuo e os músculos da região e mantém o dispositivo firme no lugar. Ao longo do dia (ou da noite, pois é seguro dormir com ele) ele pode até se mover um pouco para cima, mas isso é normal. Se você colocou do jeito certo, não tem como errar.

E, apesar do tamanho assustar um pouco no começo, ele é fácil de colocar (vc dobra em quatro partes, não fica maior do que um OB depois do uso) - a ordem na figura está errada, olhem no sentido horário pra entender (imagem no Google Images):



Relaxada (pode ser sentada, em pé, com uma perna levantada; da maneira que você se sentir mais confortável), depois de dobrado o coletor, coloque na entrada da vagina, deixe que ele abra (talvez seja necessário puxá-lo um pouco para frente e para trás para que isso aconteça) e com calma continue introduzindo (o apêndice deve ficar logo na entrada da vagina, não mais que isso). Pegue (portanto, mais uma vez, vc tem que conseguir pegar sem muito esforço) a base do coletor e gire (ele deve girar facilmente).

Para tirar, basta segurar o apêndice e, fazendo um pouco de força com os músculos abdominais, puxar um pouco o coletor. Assim que a base estiver ao alcance, aperte o fundo para soltar o ar e retire normalmente (mantenha o copo em pé e não haverá nenhum vazamento).

Após o uso, basta lavar com água e sabão neutro e usar novamente. Em banheiros públicos, é só limpar com um papel úmido e, na próxima troca, lavar completamente.

Pessoalmente, eu me espantei com uma coisa: meu fluxo não é tão gigantesco quanto eu pensava. Sabe o efeito de colocar um pingo de água sobre um pedaço de papel higiênico, que espalha? Mesmo problema de se colocar um absorvente de algodão pra colher sangue...
O coletor tem cerca de 15ml e as chances de você encher o recipiente após usar o dia inteiro são mínimas (talvez nos dois primeiros dias, mas nos outros...). Aliás, o uso máximo é de 12 horas (bem superior aos absorventes internos). Mas, pra garantir, eu tenho trocado 3 vezes (quando eu acordo/banho, depois do almoço e antes de dormir - sim eu uso direto durante a mestruação e, Deus, como eu vivi tanto tempo sem isso?) - em dias muito intensos, tem chegado nos 7,5ml em cada troca. Quando se entende como se coloca realmente, não incomoda em nada. Melhor ainda: não vaza, não incomoda quando se usa o banheiro, não tem uma "cordinha" pouco higiênica no meio do caminho.

Além de ter a praticidade de ser interno (e portanto, biquinis e calças claras/justas ficam liberados), o "pulo do gato" nesse caso é que é um produto reutilizável (lavável - facilmente - o de silicone tb pode ser fervido para esterilização ao final do ciclo ou colocado em água oxigenada por algumas horas antes de guardar pro mês seguinte). E a durabilidade média é de 10 anos... Ou seja, esqueça o absorvente na lista de compras e você nunca mais vai ficar sem absorvente quando mais precisa.

Há pelo menos 5 marcas do produto no mercado:
1) O que eu adquiri (tamanho 1): DivaCup, é feito em silicone, fabricado no Canadá. http://www.divacup.com
2) The Keeper: é o precursor dos modelos modernos (desde 1987), Americano, feito em borracha/látex (a desvantagem é: 1 - o produto é mais feio e deve ter uma rejeição maior; 2 - e mais importante, há pessoas com alergia a Latex). http://www.keeper.com/
3) The Moon Keeper: é o mesmo modelo do The Keeper e do mesmo fabricante, só que em silicone http://www.keeper.com/
4) MoonCup: modelo Inglês, em silicone - http://www.mooncup.co.uk/
5) Lunette: modelo Finlandês, em silicone - http://www.lunette.fi/english_index.html

Há sempre dois tamanhos: o primeiro, para mulheres abaixo dos 30 anos e que nunca tiveram filhos, e o segundo para mulheres acima dos 30 ou que tiveram filhos (parto natural ou cesárea, independe).

O mais engraçado é que não é uma idéia nova, existe desde 1932 (o nome era Daintette, um modelo já obsoleto e que não existe mais). Não sei porque não é mais popular!

Por fim, é bom lembrar que por não ser absorvente e, teoricamente, não alterar o PH e a umidade da área, não existe nada que relacione coletores com Sìndrome do Choque Tóxico - embora eles advirtam na "bula" que quem já teve o problema (relacionado a absorventes internos tipo OB/Tampax) não deve usar, provavelmente por precaução.

Ah, sim, o preço. Paguei cerca de US$ 36,00 com a postagem, mais IOF. Com o dólar cotado a R$ 2,14, paguei pouco menos de R$ 78,00 (cartão de crédito) e recebi dentro do prazo (três semanas). Considerando que é um produto que substitui todos os outros e dura 10 anos - ou um pouco menos, dependendo do tamanho adquirido e da sua idade - é um ótimo custo/benefício.

O único invonveninete do produto é que não pode ser usado por virgens que se incomodem de ter o himen rompido, pois isso acontecerá inevitavelmente.

Espero que o artigo esclareça alguma questão para quem tinha curiosidade e ajude a popularizar o produto.


Renata Octaviani
14/11/2006

www.vegvida.com.br

 





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