Ponderações de um vegano - Parte I Imprimir E-mail
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24-Jul-2005
Atualizado em ( 07-Jan-2008 )
 

celestial.jpgEste texto promove ponderações a respeito do vegetarianismo, de um ponto de vista sobre o qual falo com franqueza. Sendo assim, que o leitor e a leitora reflitam e julguem, por si mesmos, o conhecimento aqui abordado.


Na humanidade sempre existiram pessoas que adotaram o vegetarianismo por várias razões, como, por exemplo, questões científicas, éticas, morais, ecológicas, religiosas e/ou metafísicas, filosóficas etc., todas de grande importância para seus praticantes!

Ao ser humano, é sabido que a qualidade de ser equânime é sentida segundo a sua capacidade de experimentá-la emocionalmente e compreendê-la racionalmente. A partir daí, ele a assimila como lhe aprouver.

Em particular, o veganismo (um aprofundamento do vegetarianismo), é uma filosofia de vida que exerce um boicote mais profundo às atividades que contribuem para a desnecessária exploração animal. Eu, Charles, estou consciente de que, mesmo não sendo capaz de ser 100% vegano na sociedade moderna, procuro não satisfazer os meus sentidos de percepção sensorial com coisas desnecessárias - que promovem o sofrimento de seres incapazes de falarem por si mesmos - os animais. Sempre busquei um significado mais profícuo e lúcido às preocupações que tenho na vida. Entendi que o veganismo preenche uma demanda necessária para minimizar a exploração animal, portanto, tornei-me vegano no dia 23 de janeiro de 2001, embora já praticasse o vegetarianismo há sete anos, como lacto-vegetariano.

Por mais importantes ou simples que sejam, penso que quaisquer atitudes tomadas pelas pessoas onívoras ou vegetarianas apresentam motivos conscientes ou inconscientes de sua índole. Daí é importante ressaltar para qualquer tipo de vegetariano o seguinte raciocínio: "procure analisar minuciosamente os seus motivos e decida até que ponto você está realmente disposto a praticar o vegetarianismo, porque, de acordo com as tendências que possam aparecer, a pessoa tem o direito de traçar os limites de sua prática de uma maneira equilibrada, ou seja, sem se deixar levar pelo comodismo do gozo dos sentidos e sem se encantar pela sedução do fanatismo de querer impor aos outros o vegetarianismo.

Como em qualquer situação que se encontre, os vegetarianos acabam encontrando dificuldades que precisam saber resolver e tendências (comodistas ou fanáticas) que precisam desdenhar!
Segundo o dicionário Aurélio, a palavra comodismo designa atitude de quem atende, acima de tudo, à própria comodidade (isto representa egoísmo), e a palavra fanatismo designa a atitude de quem se inspira cegamente a qualquer ideologia, ou seja, o fanático gera absolutismo desnecessário à sua postura.

Parece muito difícil ser vegetariano diante da incompreensão de muitos onívoros. Entretanto, o vegetariano autêntico é estrito consigo mesmo, porém, educado com os outros e tolerante com aqueles que o compreendem mal. O bom exemplo sempre é melhor que o preceito. Também cabe ao vegetariano ter mente aberta e não impor o vegetarianismo a ninguém. Sem querer generalizar, tenho que dizer isto entre aspas: "alguns" praticantes do vegetarianismo se consideram melhor que os onívoros por causa disso ou daquilo, e "alguns" veganos, crudívoros e frugívoros se consideram melhor que os ovo-lacto-vegetarianos, ovo-vegetarianos e lacto-vegetarianos pelo fato de se aprofundarem na prática do vegetarianismo - isto está longe da maturidade consciencial de um verdadeiro praticante do vegetarianismo! Sei que este assunto gera polêmicas, divide os praticantes e levanta muitas discussões, sobretudo, nós não podemos considerar que apenas a adoção do vegetarianismo, independentemente da classificação vegetariana a ser seguida, seja a única coisa para melhorar o mundo, embora isto seja uma das diversas questões para aprimorá-lo, e uma das características significativas para granjear a benevolência alheia.

 



 



Todos os tipos de vegetarianos estão fazendo a sua parte. Às vezes, ocorrem ofensas, intrigas e picuinhas entre os onívoros e os vegetarianos, e também entre os próprios vegetarianos, já que há praticantes distintos, e sei que essa situação pode, dependendo do contexto, ficar difícil de controlar. Todavia, ninguém pode se considerar melhor do que o outro: onde está a humildade? A vaidade é uma praga na mente daqueles que se acham os donos da verdade, os quais se exibem como se fossem heróis. É claro que alguns onívoros implicam com os vegetarianos, mas o contrário também acontece - ambos devem controlar os seus impulsos com a prática da tolerância: é uma questão de bom senso e autocrítica!

Eis outra reflexão incômoda: a superação de qualquer tipo de extremismo ou agressividade exige soluções muito mais complexas do que a prática do vegetarianismo. Este assunto tem a ver com o vandalismo, a rebeldia e a violência. A falta de amadurecimento é a razão pela qual possibilita explicar o fato de alguns extremistas, que adotaram o vegetarianismo, jogarem bombas em restaurantes que vendem alimentos cárneos, depredarem ou incendiarem lojas do McDonald's, espancarem cientistas que fazem vivissecção com os indefesos animais só porque defendem a idéia de que todos devem parar de explorar os bichos. No momento em que se fazem ataques como esses, tais vândalos se colocam no mesmo nível que os açougueiros e vivisseccionistas, ou até mesmo pior que eles! Ser a favor do vegetarianismo é uma coisa muito diferente do que ser a favor da violência, isto já é o suficiente para saber que o vegetarianismo é uma tendência pacífica e não uma tendência incoerente. Para qualquer praticante sincero do vegetarianismo, é evidente que o mesmo não se pode conciliar com a desnecessária violência. Caso contrário, nenhuma melhoria será possível no desenvolvimento desta consciência. Certa vez, Gandhi disse: "O amor é a força mais abstrata e também a mais potente que há no mundo.(...) Só podemos vencer o adversário com o amor, nunca com o ódio." Essas máximas expressam uma verdade irrefutável, apesar de parecer demagogia para alguns!
A inutilidade da "barbárie intencional", como forma para tentar suprimir a violência desnecessária imposta aos animais, é tão evidente que só mesmo uma pessoa de mente fechada para não reconhecê-la como tal.

Devemos nos opor à violência desnecessária que alguns vândalos adotaram como forma de impedir o sofrimento dos animais. É mais justo boicotar, fazer protestos simbólicos através de estampas de camisas, distribuir panfletos, promover diálogos, palestras, encontros fraternos com direitos a lanches, almoços, jantares ou qualquer outro meio pacífico de promover o vegetarianismo do que utilizar meios violentos que só tendem a prejudicar mais ainda as coisas. O que os leigos no assunto do vegetarianismo irão achar dos maus exemplos de alguns ativistas que comprometem o vegetarianismo? Caro leitor, cara leitora, vocês estão entendendo a situação desconcertante? Alguém sem conhecimento de causa e efeito das atividades violentas se engana facilmente ao pensar que os meios violentos podem servir à benevolência dos animais como uma maneira de modificar as condições miseráveis que são impostas aos mesmos.

Atividades antiéticas imposta aos animais combatem-se com amor, com argumentos, com boicote e com denúncias... e não com violência! O amor já foi explicado com simplicidade por Gandhi no nono parágrafo deste artigo. Os argumentos representam uma das formas para protestar contra a exploração animal. O boicote nos dá força para não nos acomodarmos em vários costumes de gozo dos sentidos. As denúncias chocam as pessoas à realidade, fazendo-as refletir sobre o fingimento cínico dos coniventes com a exploração dos bichos!

Por Charles de Freitas Lima (Professor de Educação Física).
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Veja também:
Ponderações de um vegano - Parte II

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