| Vegetarianismo e Fome |
|
|
| 02-Jan-2007 | |
| Atualizado em ( 14-Jul-2008 ) |
Cientista Ambiental: Alfredo Akira Ohnuma Jr.
e-mail:
Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
Fisiologicamente, nosso corpo responde ou percebe automaticamente quando sentimos fome. Embora também seja discutida em outros níveis espirituais sobre a necessidade que temos por alimento, a questão da alimentação está invariavelmente relacionada à manutenção das atividades que regem a vida na Terra.
Produzir alimentos requer espaço e tempo, pois para cada indivíduo, é fundamental despender energia suficiente para suprir e satisfazer suas eventuais necessidades. Associado a deficiência do sistema político, principalmente nos países emergentes, que distribui desigualmente o poder aquisitivo, o hábito alimentar da população intensifica o número de vítimas da fome no mundo que atinge aproximadamente 826 milhões de pessoas, segundo o Relatório Anual da FAO (Organização para a Agricultura e Alimentação). Dados disponíveis em: www.fao.org. Este número representa aproximadamente 2 pessoas em cada 10 como subsistindo de fome crônica em todo o mundo.
O vegetarianismo como hábito alimentar, associado
a uma distribuição econômica mais justa e eficiente,
contribui para diminuir a privação por alimento nas
populações menos privilegiadas que sentem fisiologicamente
esta carência. Isto pode ser comprovado pela produção
mundial de grãos que serve para alimentar a pecuária,
desperdiçando enormes quantidades de funções
nutricionais que poderiam ser muito melhor aproveitadas caso fossem
diretamente distribuídos para abastecer a população
humana.
Produção dos alimentos
Fomentar a produção de animais de corte exige gastos alarmantes quando reunimos informações a fim de minimizar os impactos globais e gerar uma melhoria no sistema compartilhado de distribuição dos alimentos. Para se ter uma idéia quantitativa do que se produz de alimentos de origem animal e vegetal, o déficit pode ser superior a 150 vezes quando comparados, por exemplo, a produção bovina com a produção de milho. Este dado é válido para uma mesma quantidade de terra (4 hectares) e mesmo intervalo de tempo de colheita ou corte (5 anos). Para este cálculo não é considerado o número de safras que podem ser obtidas anualmente, tendendo a aumentar ainda mais a vantagem na produção dos alimentos vegetais.
Figura 1 – Desproporção na produção
dos alimentos vegetais e animais.
A figura acima, compara a produção em quantidade de quilos de vários alimentos vegetais com a carne bovina, decorrente de uma produção de igual valor no espaço e no tempo.
Necessidade protéica
Levando-se em consideração os aspectos nutricionais
de cada um destes alimentos, mais especificamente o índice
protéico, é possível obter em média
a quantidade efetiva que cada uma destas safras ou corte teria
de proteína. Isto significa que, tanto em quantidade como
em qualidade, a produção de alimentos vegetarianos
supera e possui muito maior proveito em relação às
expectativas que são alimentadas pelos animais de corte.

Figura 2 – Diferença na safra de proteínas
na comparação dos alimentos vegetais e animais.
Essa deficiência produtiva na qualidade e na quantidade dos alimentos de origem animal encarece o desgaste ambiental como também provoca uma denúncia em relação aos problemas sócio-econômicos.
Tudo isso se deve ao fato de que a maior
parcela dos alimentos em grãos e cereais são destinados ou desviados para
atender o comércio da pecuária, sendo responsável
diretamente por cerca de 70% em média do consumo destes
alimentos.
Consumo alimentar
Tomando-se por base estes mesmos dados, podemos estender a necessidade de consumo de um homem, por exemplo, de 70kg. Sua exigência nutricional requer em média cerca de 70g de proteína por dia. Com esta quantidade gerada de proteínas na safra produtiva destes alimentos poderíamos suprir proteicamente com feijão este homem durante quase 75 anos, ou com milho durante mais de 130 anos. A soja é o alimento que mais poderia atender esta demanda a longo prazo, sendo superior a 400 anos de suprimento protéico. Para a carne bovina, os 121kg de proteína adquirida no mesmo espaço e tempo de produção acarretaria um período relativamente curto de 5 anos de atendimento protéico para alimentá-lo. Ou seja, a produção de carne é onerosa, desgastante e um tanto prejudicial no que diz respeito ao desperdício que ela gera. Isto, sem levar em conta os impactos gerados ambientalmente provocados pela produção dos animais de corte.

Figura 3 – Período estimado possível de consumo
das necessidades protéicas para os alimentos vegetais e
animal.
Estes dados comprovam a capacidade que os
alimentos de origem vegetal possuem na oferta por quantidade
e qualidade nutricional. Caso estes alimentos pudessem ser produzidos
para atender a demanda daqueles subnutridos, certamente os restos
de comida não
seriam tão recolhidos como é hoje nos lixões
pelas pessoas que passam fome.
Estimativa de pessoas alimentadas proteicamente
Os dados comprovam a relação proporcional e o benefício econômico e social gerado na preferência pelo consumo de alimentos vegetais no combate a fome. Isto pode ser confirmado a partir do número de pessoas que poderiam ser alimentadas proteicamente utilizando-se os mesmos critérios de exigência nutricional por indivíduo, igualdade na distribuição econômica, espaço e tempo de produção.
A figura adiante representa o número de pessoas alimentadas
com qualidade protéica segundo o tipo de alimento. Embora
a carne bovina seja um alimento de alto valor protéico,
sua produção é considerada dispendiosa quando
relacionamos ou estendemos sua capacidade produtiva no decorrer
do tempo. A quantidade de nutrientes da carne distribuída
temporalmente torna-se inviável e impraticável quando
se tem como objetivo diminuir a carência por alimento. Ressalta-se
que as diretrizes sobre a ingestão de proteínas indicam
um percentual de 10% do valor calórico total como proteínas.

Figura 4 – Número de pessoas atendidas por alimentos
vegetais e carne bovina conforme capacidade suporte de proteínas.
Assim sendo, o consumo por alimentos de origem animal, particularmente a carne proveniente da pecuária, além de causar um desperdício funcional devido à má distribuição dos alimentos, é resumida aqui como sendo também um dos fatores responsáveis pelo aumento do “flagelo da fome” no mundo.
Tabela quali-quantitativa de produção e período
de consumo estimado para alimentos vegetais e a carne bovina:
|
|
Kg |
cal/100g |
gramas
|
%
proteína dentro |
Kg
de |
anos |
n. pessoas alimentadas* |
|
Milho |
34.000 |
365 |
9,4 |
10% |
3.366 |
132 |
48.086 |
|
Soja |
32.000 |
416 |
36,5 |
33% |
10.464 |
410 |
149.486 |
|
Arroz |
19.000 |
359 |
8,0 |
9% |
1.691 |
66 |
24.157 |
|
Feijão |
8.000 |
336 |
20,0 |
24% |
1.880 |
74 |
26.857 |
|
Carne bovina |
210 |
330 |
36,0 |
58% |
121 |
5 |
1.730 |
(*) refere-se a uma alimentação que possa suprir as exigências protéicas
Agradecimentos especiais ao Dr. Eric Slywitch,
pela colaboração
no cálculo de proteínas.
Referências consultadas:
EARTH SAVE FOUNDATION (1992). Our Food Our World. The Realities
of an Animal-Based Diet, Santa Cruz/EUA, 1992.
FAO (Organização para a Agricultura e Alimentação).
Relatório Anual. Dados disponíveis em: www.fao.org.
Acesso em 23 dez 2006.
IBGE (2000). Censo 2000. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas.
Brasil, 2000.
OHNUMA JR., A. A. (2004). Elementos de um Hábito (In)Sustentável.
Apresentado no 36° Congresso Vegetariano Mundial. Sociedade
Vegetariana Brasileira. Florianópolis, 8-14 nov. 2004.
SLYWITCH, E. (2006). Alimentação sem carne – guia prático. www.alimentacaosemcarne.com.br
TACO (2006). Tabela Brasileira de Composição de Alimentos. Universidade de Campinas. Núcleo de Pesquisas em Alimentação. NEPA/UNICAMP. Disponível em: http://www.unicamp.br/nepa/taco/contar/taco_versao2.pdf. Acesso em 23 dez 2006. Versão 2. Segunda Edição. Campinas/SP.
WINCKLER, M. (2004). Fundamentos
do vegetarianismo. Parecer da Associação Dietética Americana sobre Dietas
vegetarianas. Rio de Janeiro/RJ. Editora Páginas Amarelas.






Users' Comments (1) |
![]() 11-03-2008 15:31, , Visitante Sempre tive a idéia que a matemática nunca foi uma opinião mas, sim um dado concreto! Viva o veganismo! » Responder a este comentário... |
||
|
mXcomment 1.0.7 © 2007-2008 - visualclinic.fr
License Creative Commons - Some rights reserved
| < Anterior | Próximo > |
|---|




















