"...quando criamos uma pseudoculpa, fugimos de assumir nossa maturidade e alimentamos a miséria, por ser mais aconchegante e esconder nossos defeitos. A felicidade é muito mais exigente, em termos de consciência energia, disciplina, dedicação, integridade e resposabilidade."- Nathaniel Branden, adaptado e citado por Flávia Guzzi em Mudar ou mudar
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A primeira vista, o crudismo parece ser difícil porque sentimos falta de certos alimentos, sabores, texturas. Como sobreviver sem pão, leite, carne, chocolate? Isso se dá porque a comida geralmente ocupa um espaço em nossas vidas que vai além do nutrir: comemos para comemorar, para passar o tempo e preencher nossos vazios, para combater o tédio e, acima de tudo para nos anestesiar.
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De fato, acredito que essa anestesia tenha um papel-chave no auto-boicote que impede que a grande maioria das pessoas incorporem o crudismo da noite pro dia em suas vidas. Não, desta vez não estou falando de usar a comida para nos anestesiar das mazelas do mundo. Estou falando em nos anestesiar para fugir da felicidade. Como? Vou explicar.
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Quando começamos a eliminar certos alimentos (principalmente as gorduras em excesso, notáveis por dar a ilusão de "dormência" dos nossos sentidos e dores emocionais) e passamos a comer de forma mais próxima do natural, vamos eliminando a barreira de proteção que criamos entre nós e... nós mesmos. Sem essa barreira, com o corpo físico livre de tanta (in)digestão, nossa auto-percepção fica cada vez mais aguçada. De repente os defeitos ficam mais expostos e vemos o quanto nós mesmos fazemos contra nossa própria felicidade. E como a esta altura também nos damos conta que merecemos ser inteiramente felizes, assusta saber que a felicidade está nas nossas mãos e não é um produto de fatores externos. Não é preciso esperar aquela promoção, a estabilidade financeira ou o carro novo. Não é preciso ter a aprovação dos pais, companheiro(a) ou amigos. É preciso, "apenas", tomar as rédeas da nossa própria vida e nos comprometer com nossa própria felicidade. E (como diz o pensamento lá no início do texto), isso requer muito esforço.
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É por isso que o crudismo dá trabalho. Começamos querendo, quem sabe, melhorar um pouco a saúde ou perder alguns quilinhos. De repente nos encontramos cheios de energia, vibrantes e com uma visão privilegiada de todo nosso potencial aqui na Terra, toda felicidade que está ali, esperando apenas ser aceita por nós. Porém, também temos uma visão privilegiada de nossas fraquezas e esquemas de auto-boicote. Somos chamados a arregaçar as mangas e nem sempre é fácil sair do nosso aconchegante torpor.
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Assim, o crudismo é muito mais que uma opção alimentar, pois provoca reações que mudam nossa vida por completo. Tem gente, por exemplo, que se dá conta que seu emprego não tem nada a ver com sua verdadeira vocação ou com o que vieram fazer neste mundo. Tem gente que sai de relacionamentos amorosos ou de amizades que não estavam lhe fazendo bem. Tem gente que passa a ter uma postura mais altiva e a enfrentar situações e pessoas que nunca questionariam anteriormente.
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Obviamente, tudo isso requer coragem. Então, à medida que vamos tirando mais e mais alimentos anestésicos da nossa dieta, vamos passando mais e mais dias só ingerindo coisas boas, chegamos cada vez mais próximos de situaçoes como estas, que requerem ação. É natural ficar com medo. Somado a isso, as emoções negativas vão sendo liberadas, não sem antes causar certo mal estar e ainda mais medo.
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Por isso, quando estamos tentando imergir no crudismo e vem aquela vontade de desistir, temos sempre que lembrar que não é só sobre a comida, mas muito além disso. Isso não significa nos martirizarmos ou ficarmos cheios de culpa ao cometer "deslizes" ou não ficar 100% o tempo todo. Mas ter a percepção deste processo nos ajuda a ficar cada vez mais fortes tanto para lidar com o novo estilo de alimentação quanto com a enxurrada de emoçoes e transformaçoes que vêm junto como o mesmo.
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Agora quero saber de vocês, leitores: o crudismo ou outra mudança alimentar transformou algum aspecto de sua vida não ligado diretamente à comida? Deixe seu comentário aqui no blog!
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