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Quando me foi pedido que contasse a história da criação do Guia Vegano, fiquei inseguro a princípio, pois não sou escritor e, para ser honesto, comumente escrevo errado. Todavia pensei melhor e vi que essa deficiência poderia ser suprida por um princípio que se origina da própria filosofia de funcionamento do Guia, que é a ajuda mútua entre os membros. Sendo assim, este textinho passou pela revisão de uma pessoa com bom conhecimento da língua portuguesa.

A idéia de fazer um "Guia Vegano" nasceu durante o Congresso Vegetariano Mundial em Florianópolis (novembro de 2004). Até então, não havia sentido necessidade de fazer um site sobre vegetarianismo/veganismo, apesar de ter conhecimento técnico para tal, pois achava que tudo que precisava ser dito a respeito já estava disponível em outros ótimos sites da Internet.

Durante o congresso, no entanto, percebi que a realidade não era bem assim: as informações estavam algo soltas, havia muita gente com dúvidas em pontos cruciais do modo de vida vegano. Percebi que muito poderia ser feito se uma mídia especializada fosse criada para o assunto.

O problema era que, apesar de ter o know-how da criação de sites, eu não era nutricionista, filosofo, médico, ecologista etc., o que não me capacitava a escrever textos e prover o conteúdo de qualidade que tinha em mente.

A solução foi tentar sensibilizar o maior número possível de pessoas para o assunto. O primeiro passo foi dar uma cara ao projeto: fiz um layout bacana, condizente com a proposta do site, algo clean, leve e "para cima", como se acha que deve ser a proposta vegana. Comecei a mostrar este layout às pessoas (nunca mandei tanto e-mail para desconhecidos na minha vida...), a maioria delas pescada em listas de discussão, selecionadas por aquilo que diziam e pelo que poderiam oferecer ao Guia como provedores de conteúdo.

Notei de cara que as pessoas não respondem a e-mails de convocação geral: por exemplo, se você manda um e-mail para mil pessoas solicitando voluntários para um projeto, quase ninguém te responde positivamente, mas se você escrever uns 50 e-mails pessoais a cada uma destas pessoas, além de conseguir uma resposta de cada uma você provavelmente receberá um bom número de respostas positivas. Resumindo: é preciso arregaçar as mangas e digitar mesmo, nada de copiar e colar textos prontos de um para o outro quando se está pedindo ajuda.

À medida que o número de participantes aumentou, fomos criando uma comunidade virtual: as pessoas que têm formação específica fornecem textos de suas áreas - devidamente assinados, para que tenham maior credibilidade. Decisões importantes são submetidas a votação.


As publicações estão centralizadas numa única pessoa, mas isso já está para mudar: iniciamos um programa para que determinados voluntários tenham acesso ao site diretamente, e assim possam assumir tarefas de publicação. O Calendário Vegano está sob responsabilidade de uma voluntária de Campo Grande, que cuida da aprovação e publicação dos eventos.

A idéia é descentralizar as tarefas e dividi-las, oriunda da filosofia de funcionamento da Internet, que conheço bem. Na Internet, hoje são comuns programas para baixar arquivos de forma fragmentada, baixando pedacinhos ínfimos de várias fontes diferentes - com isso, o servidor principal de quem esta disponibilizando o arquivo não fica sobrecarregado e o download é mais rápido. Se a mesma idéia for aplicada a projetos que dependem de voluntariado, ninguém sairá sobrecarregado e a obra crescerá mais rapidamente.

O problema é que os coordenadores se vêem com pouca oferta de mão-de-obra e tendem a sobrecarregar aqueles que se mostram bons trabalhadores, o que acaba por exaurir essa reserva de "boa vontade" e vai estourar mais adiante, com o abandono dos postos.

Se isto significar a geração de uma fila de serviços, não há problema: espera-se com paciência que essa fila seja concluída. O trabalho é grande, mas fazendo-o aos poucos garantimos sua conclusão, com o passar do tempo.


A Internet é uma ferramenta maravilhosa de comunicação. Hoje podemos falar via skype sem pagar interurbano com qualquer parte do mundo, divulgar eventos, idéias etc. sem depender dos meios de comunicação tradicionais - que estão nas mãos dos grandes interesses políticos. A questão é aprender a usar este potencial plenamente e para o bem.

Alexsandro F.D. da Silva, Desenvolvedor Web
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