Este texto caiu na lista Veg-Brasil hoje e achei relevante para a discussão aqui.
Richard Davidson é um neurocientista que anda estudando monges
budistas. Em 2002, posicionou 128 eletrodos na cabeça de um monge e
pediu-lhe que meditasse a respeito de compaixão e amor.
Ele imediatamente percebeu uma forte atividade gama – ondas
cerebrais oscilando a 40 ciclos por segundo – indicando atenção
intensamente focada. Ondas gama costumam ser fracas e difíceis de
perceber.
Ele testou com vários outros monges e percebeu o mesmo padrão. Aí
percebeu que tinha em mãos mais um indício de que a velha idéia de
que o cérebro não muda mais após a idade adulta pode estar errada.
(Vários cientistas vêm defendendo pontos de vista similares.)
Mas Davidson viu algo mais. Os monges responderam ao pedido de
meditar sobre a compaixão produzindo incríveis ondas cerebrais.
Talvez estes sinais indicassem que eles tivessem atingido um estado
mental intensamente compassivo. Se for verdade, então talvez a
compaixão possa ser exercitada como um músculo. Com o treino certo,
as pessoas poderiam aumentar seu nível de empatia. E se a meditação
pode aumentar a habilidade cerebral de produzir atenção e processos
afetivos, talvez possa modificar respostas emocionais mal adaptadas
como a depressão.
Davidson está sendo um bocado criticado por alguns de seus pares –
acham que ele se aproximou demais do budismo, o que pode atrapalhar
seu julgamento como cientista.