Homocisteína: uma proteína bandida

heart_attack.gifPor Drª Marília Fernandes, nutricionista - CRN3/1693
Total Salute Nutrição & Estilo de Vida


Há cerca de quatro anos uma série de mortes por problemas cardíacos intrigou a equipe da Unidade de Aterosclerose do Instituto do Coração (InCor), ligado à Universidade de São Paulo. Em todos esses casos o coração havia parado de bater porque as artérias que levam oxigênio e nutrientes até esse órgão estavam obstruídas por placas de gordura, impedindo a passagem de sangue. Um ponto em especial atraiu a atenção dos médicos: das 51 pessoas que morreram em decorrência da aterosclerose (acúmulo de gordura na parede das artérias), 25 não apresentavam um dos principais sinais desse problema, já que os níveis de colesterol no sangue eram considerados saudáveis. A equipe chefiada pelo cardiologista Protásio Lemos da Luz decidiu então investigar a composição das placas de aterosclerose e, diferentemente do esperado, constatou que tanto em pacientes com colesterol alto quanto nas pessoas com taxas dentro dos níveis normais a quantidade de gordura na parede das artérias coronárias era a mesma.

O resultado desse estudo, conduzido por Délio Braz Junior, ajuda a redefinir a importância de um dos testes mais usados pelos médicos para determinar o risco de uma pessoa desenvolver aterosclerose, causa mais comum de doenças cardíacas como o infarto ou de problemas vasculares, a exemplo do acidente vascular cerebral, que matam a cada ano cerca de 17 milhões de pessoas no mundo, 300 mil delas no Brasil. "A doença se desenvolve independentemente dos níveis de colesterol", afirma Braz Junior. Protásio completa: "A premissa anterior era que quanto mais elevado o nível de colesterol no sangue, mais gordura deveria haver na parede das artérias coronárias".

Mas não foi o que encontraram. O trabalho da equipe do InCor sugere que o colesterol é decisivo na formação da placa, porém há outros fatores que pesam nesse processo. Um deles - pouco considerado pelos médicos até então - é a concentração elevada no sangue de uma proteína chamada homocisteína, que o grupo demonstrou estar relacionada também ao desenvolvimento da aterosclerose. Ao analisar 236 pessoas atendidas no InCor, o cardiologista José Rocha Faria Neto, hoje na Pontifícia Universidade Católica do Paraná, verificou que o nível de homocisteína no sangue era mais alto entre os indivíduos com placas de gordura nas coronárias que entre aqueles com o coração saudável, como já haviam sugerido outras pesquisas.

Faria Neto descobriu também que quanto maior a taxa de homocisteína - o normal é entre 5 e 15 micromols por litro de sangue - mais comprometidas estavam as artérias coronárias. É que a concentração elevada de homocisteína altera o endotélio e, conseqüentemente, lesa os vasos sangüíneos, provocando o surgimento de uma inflamação e favorecendo a formação das placas gordurosas.
Protásio alerta: "Esse não é um fator de risco clássico, mas pode desencadear ou agravar a doença coronariana". Com base nesses resultados, a determinação da taxa de homocisteína começa aos poucos a integrar os rotineiros exames cardiovasculares.

O novo achado da equipe do InCor tem importância prática: indica que, se uma pessoa não apresentar os fatores de risco típicos da doença, vale a pena verificar suas taxas de homocisteína. O tratamento é simples: uma vitamina do complexo B chamada ácido fólico é suficiente para baixar a taxa de homocisteína para valores próximos aos normais e restaurar a capacidade de as artérias se dilatarem. Essas descobertas levaram a equipe a reavaliar o peso dos fatores de risco considerados clássicos para a formação das placas gordurosas - entre eles colesterol alto, hipertensão arterial, sedentarismo, tabagismo, obesidade e diabetes - e a buscar formas não-invasivas de detectar precocemente e tratar as doenças das artérias do coração. (Agência FAPESP)

DICA TOTAL SALUTE (Por Marília Fernandes)

Pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, fazem um alerta: fumar mais de 20 cigarros por dia, beber mais de 9 xícaras de café e ingerir muito álcool podem aumentar os níveis de homocisteína no sangue. Se você tem histórico familiar de cardiopatias, vale a pena seguir as recomendações da American Heart Association: uma dieta equilibrada, rica em frutas, vegetais e grãos e uma dose diária de 400 microgramas de ácido fólico vinda dos alimentos.

ONDE ENCONTRAR ÁCIDO FÓLICO?

Quantidade de Ácido Fólico (em microgramas) por porção de alimento

Abacate (polpa amassada): ½ xícara de chá = 77

Alcachofra: 1 unidade grande = 150

Alho-poró (picado): 1 xícara de chá = 50

Alface: 4 folhas grandes = 80

Aspargo em conserva: 5 unidades médias = 130

Banana: 1 unidade média = 45

Beterraba: 1 unidade média = 130

Brócolis: 2 buquês médios = 95

Chicória: 4 folhas = 110

Couve-de-bruxelas: 4 unidades grandes = 130

Endívia: 1 bulbo pequeno = 142

Espinafre (cozido e picado): 1 xícara de chá = 235

Feijão cozido: ½ xícara de chá = 165

Germe de trigo: ¼ xícara de chá = 100

Grão-de-bico cozido: ½ xícara de chá = 155

Laranja: 1 unidade média = 40

Lentilha cozida: ½ xícara de chá = 90

Mandioquinha: 1 unidade média = 55

Mostarda fresca cozida: ½ xícara de chá = 51

Quiabo (picado): 1 xícara de chá = 80

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