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Nutrição

nutricao vegana

Vegetarianismo em Pediatria

A dieta vegetariana pode ser seguida por crianças.

Esse texto foi publicado na Revista Diálogo Médico: Vegetarianismo em Pediatria

Autor: Dr Eric Slywitch

 

Não existem mais dúvidas de que a dieta vegetariana (DV) bem planejada é adequada para crianças. A adequação dietética não depende do ato de comer ou não carne, mas sim da forma de elaborar a alimentação sem ela.
Pelo desconhecimento do que é ou deixa de ser uma DV (inclusive sobre a inclusão ou não de ovos, leite e derivados - que também podem fazer parte da dieta vegetariana), alguns profissionais cometem erros conceituais e interpretativos sobre ela.


Os bebês de mulheres vegetarianas apresentam peso ao nascer semelhante ao de filhos de mães não vegetarianas. O peso desses bebês também atinge os valores esperados para nascimento (O'Connell e cols 1989, Drake e cols 1989, Lakin e cols 1998).


Alguns estudos antigos encontraram crescimento insuficiente em crianças seguindo uma DV. Esse achado foi evidente quando a dieta era muito restrita, como no caso de crianças macrobióticas, que não são necessariamente vegetarianas (VanDusseldorp e col 1996). Esse problema se chama falta de alimentação e não vegetarianismo.


Diversos estudos demonstraram que a DV adotada por crianças ovolacto-vegetarianas promove crescimento semelhante ao das não vegetarianas (Hebbelinck e Clarys 2001, Sabate e col 1990, Nathan e col 1997).


As DVs, inclusive veganas, bem planejadas satisfazem as necessidades nutricionais de bebês, crianças e adolescentes e promovem o crescimento normal (Messina e Mangels 2001, Hebbelinck e Clarys 2001, Mangels e Messina 2001).


As diretrizes para introdução de alimentos sólidos, assim como para o uso de suplementos de ferro e vitamina D são as mesmas para bebês vegetarianos e não vegetarianos (Mangels e Messina 2001).


As crianças veganas podem ter necessidade protéica ligeiramente maior que as não veganas (como as ovolactovegetarianas e as onívoras) devido à diferença de digestibilidade e da composição de aminoácidos das proteínas vegetais, mas esta necessidade protéica é atendida quando a dieta contém calorias suficientes e uma pequena diversidade de alimentos vegetais (Millward 1999, Messina e Mangels 2001, Food and Nutrition Board 2002).


A ingestão média de proteínas das crianças vegetarianas (inclusive as veganas) costuma obedecer ou exceder às recomendações, embora as crianças vegetarianas possam consumir menos proteína que as não vegetarianas (Nathan e cols 1996, Sanders e Manning 1992).


As dietas vegetarianas na infância e na adolescência podem criar padrões alimentares saudáveis para a vida toda e apresentar algumas vantagens nutricionais importantes. Crianças e adolescentes vegetarianos apresentam menor ingestão de colesterol, gordura saturada e ingestão maior de frutas, verduras e fibras que os não vegetarianos (Perry e cols 2002, Sanders e Manning 1992, Fulton e Hutton 1980).


O ponto de maior atenção na dieta vegetariana é a vitamina B12, motivo de inúmeras publicações demonstrando deficiência em adultos e crianças. Dessa forma é recomendado uma fonte segura para crianças e gestantes, principalmente. Consideramos fontes seguras: ovos, leite e laticínios. A maioria dos vegetarianos utiliza esses alimentos. No caso dos veganos a suplementação é a via mais segura para garantir o suprimento dessa vitamina.


A American Dietetic Association (ADA) e Dietitians of Canada consideram que: "Dietas veganas e ovolactovegetarianas bem planejadas são adequadas a todos os estágios do ciclo vital, inclusive durante a gravidez e a lactação. Dietas veganas e ovolactovegetarianas adequadamente planejadas satisfazem as necessidades nutricionais de bebês, crianças e adolescentes e promovem o crescimento normal" (ADA 2003).


O vegetarianismo também é incentivado pela American Heart Association (AHA), Food and Drug Administration (FDA), College of Family and Consumer Sciences (University of Georgia) e já que estamos falando em pediatria, Kids Health (Nemours Foundation).


A American Dietetic Association e Dietitians of Canada são enfáticas em afirmar que os profissionais da área de nutrição têm o dever de apoiar e encorajar os que demonstram interesse em seguir uma dieta vegetariana.

Os alimentos utilizados para a obtenção dos nutrientes numa dieta vegana são muito mais diversificados do que os utilizados por onívoros (Christel e col, 2005). Isso demonstra que a dieta vegana (estrita) não é restrita.

 

Bibliografia

Messina V, Mangels AR. Considerations in planning vegan diets: Children. J Am Diet Assoc 2001;101:661-669.

Hebbelinck M, Clarys P. Physical growth and development of vegetarian children and adolescents. In: Sabate J, ed. Vegetarian Nutrition Boca Raton, Fl: CRC Press; 2001:173-193.

Mangels AR, Messina V. Considerations in planning vegan diets: infants. J Am Diet Assoc 2001;101:670-677

Perry CL, McGuire MT, Neumark-Sztainer D, Story M. Adolescent vegetarians. How well do their dietary patterns meet the Healthy People 2010 objectives? Arch Pediatr Adolesc Med 2002;156:431-437.

Sanders TAB, Manning J. The growth and development of vegan children. J Hum Nutr Diet 1992;5:11-21.

Fulton JR, Hutton CW, Stitt KR. Preschool vegetarian children. J Am Diet Assoc 1980;76:360-365.

Mangels AR, Messina V. Considerations in planning vegan diets: infants. J Am Diet Assoc 2001;101:670-677.

Hebbelinck M, Clarys P. Physical growth and development of vegetarian children and adolescents. In: Sabate J, ed. Vegetarian Nutrition Boca Raton, Fl: CRC Press; 2001:173-193.

Sabate J, Linsted KD, Harris RD, Johnston PK. Anthropometric parameters of school children with different life-styles. Am J Dis Child 1990;144:1159-1163.

Nathan I, Hackett AF, Kirby S. A longitudinal study of the growth of matched pairs of vegetarian and omnivorous children, aged 7-11 years, in the north-west of England. Eur J Clin Nutr 1997;51:20-25.

van Dusseldorp M, Arts ICW, Bergsma JS, De Jong N, Dagnelie PC, Van Staveren WA. Catch-up growth in children fed a macrobiotic diet in early childhood. J Nutr 1996;126:2977-2983.

Nathan I, Hackett AF, Kirby S. The dietary intake of a group of vegetarian children aged 7-11 years compared with matched omnivores. Br J Nutr 1996;75:533-544.

Sanders TAB, Manning J. The growth and development of vegan children. J Hum Nutr Diet 1992;5:11-21.

Millward DJ. The nutritional value of plant-based diets in relation to human amino acid and protein requirements. Proc Nutr Soc 1999;58:249-260.

Food and Nutrition Board, Institute of Medicine. Dietary Reference Intakes for Energy, Carbohydrate, Fiber, Fat, Fatty Acids, Cholesterol, Protein, and Amino Acids Washington, DC: National Academy Press; 2002.

Messina V, Mangels AR. Considerations in planning vegan diets: Children. J Am Diet Assoc 2001;101:661-669.
O'Connell JM, Dibley MJ, Sierra J, Wallace B, Marks JS, Yip R. Growth of vegetarian children. The Farm study. Pediatrics 1989;84:475-481.

Drake R, Reddy S, Davies J. Nutrient intake during pregnancy and pregnancy outcome of lacto-ovo-vegetarians, fish-eaters and non-vegetarians. Veg Nutr 1998;2:45-52.

Lakin V, Haggarty P, Abramovich DR. Dietary intake and tissue concentrations of fatty acids in omnivore, vegetarian, and diabetic pregnancy. Prost Leuk Ess Fatty Acids 1998;58:209-220.

 

Fonte: www.alimentacaosemcarne.com.br

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Crescimento e desenvolvimento de crianças vegetarianas

Autor: Dr Eric Slywitch

Entrevista publicada no IPCE (Instituto de Pesquisa, Capacitação e Especialização)


- Estudos mostram que crianças vegetarianas, quando seguem uma dieta bem balanceada, não têm deficiência de crescimento em relação as outras. Basicamente quais os alimentos que não podem faltar em uma dieta vegetariana para crianças, garantindo assim seu desenvolvimento normal?

Diferente do que muitos imaginam, a dieta vegetariana não é composta por verduras e legumes. A base da alimentação é a mesma da dieta onívora. Os alimentos mais calóricos são preconizados como base da dieta.

Assim, a criança vegetariana utiliza todos os alimentos do grupo dos cereais (arroz, trigo, milho, centeio, cevada, pães, macarrões...), das leguminosas (todos os feijões e derivados), oleaginosas (após o primeiro ano de vida ou o terceiro, caso haja história de alergia familiar), as frutas, hortaliças (verduras, legumes e vegetais amiláceos - que para vegetarianos são classificados juntamente com as hortaliças, e não com os cereais) e óleos.

Para os ovo-lactovegetarianos o consumo de ovos e laticínios faz parte do cardápio.


- Como garantir os nutrientes necessários na fase da adolescência, período em que o crescimento rápido faz aumentar a demanda de vários nutrientes, dentre eles, a proteína?

Utilizando e variando os alimentos dos diversos grupos alimentares.

O único nutriente que pode estar ausente na dieta vegetariana, quando os ovos e laticínios não são utilizados, é a vitamina B12, que deve ser suplementada nessas condições.

O planejamento nutricional adequado fornece todos os nutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento, segundo diversos artigos científicos publicados que, inclusive, demonstram que os adolescentes vegetarianos têm um cardápio mais diversificado do que os onívoros.


A deficiência protéica é um mito na dieta vegetariana, que não é suportada por inúmeras publicações científicas. Da mesma forma, a deficiência de ferro não é mais prevalente em os vegetarianos quando comparada com onívoros.

- Nesta fase de adolescência, além de ingerir os alimentos corretos, é necessário, tomar suplementos de nutrientes?

As diretrizes para suplementação na infância, assim como para todas as fases da vida são as mesmas para vegetarianos e onívoros.

A única diferença está no uso de vitamina B12, que deve ser sempre suplementada na infância, gestação e lactação, independente do uso de ovos e laticínios, assim como para os vegetarianos que se abstém do consumo desses alimentos.

- Crianças precisam de energia e, como a dieta vegetariana tende a ter menos calorias, quais os alimentos que poderão suprir esta necessidade?

As dietas vegetarianas tendem a ter menos calorias do que as onívoras, mas ultrapassam, sem nenhuma dificuldade, a necessidade calórica diária.

Lembre-se de que a dieta vegetariana não é composta por verduras e legumes, apesar desses alimentos fazerem parte do cardápio.

 

Fonte: www.alimentacaosemcarne.com.br

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Dicas na Alimentação da Criança Vegetariana

Esse texto foi escrito com o objetivo de fornecer informações básicas para pais que têm filhos vegetarianos.

Autor: Dr Eric Slywitch

Algumas orientações para mães com crianças vegetarianas pequenas, especialmente nos 2 primeiros anos de vida:


1) A criança vegetariana, como qualquer criança, deve ser acompanhada para avaliação do crescimento, ganho de peso e desenvolvimento.

Se o seu pediatra é contra a dieta vegetariana, saiba que existem outros que são plenamente favoráveis a essa opção. A junção do pediatra com um médico nutrólogo ou nutricionista que prescreva a dieta vegetariana é uma opção bastante segura.

2) A amamentação pelo menos até os 6 meses de idade é fundamental para o indivíduo. Nesse período deve haver atenção especial ao nível de B12 no sangue da mãe e à dieta para garantir a oferta de vitamina B12 no leite materno.

Caso a mãe não tenha um bom nível sangüíneo e uma boa ingestão da vitamina B12 ou por algum motivo não queira ou não possa utilizar suplementos dessa vitamina ela deve ser ofertada diretamente ao bebê (existem xaropes no mercado com vitamina B12, desenhada para bebês e crianças).

Crianças veganas devem receber alimentos enriquecidos ou suplementos na forma de comprimidos ou xaropes. A injeção é uma possibilidade, mas não deve ser a primeira escolha.

Crianças ovo-lacto-vegetarianas ou lacto-vegetarianas podem não precisar de suplemento de B12, mas convém, além de quantificar a B12 ingerida, dosar os níveis sanguíneos de marcadores de deficiência dessa vitamina.

Durante toda a fase de introdução de alimentos, assim como na infância, deve-se avaliar a vitamina B12, mantendo-se a suplementação.

Como eu conduzo:
- SEMPRE prescrevo a vitamina B12, independente do consumo de derivados animais na dieta vegetariana.

-SEMPRE solicito as dosagens laboratoriais de marcadores de deficiência de vitamina B12. Lembre-se de que manutenção é uma coisa; tratamento da deficiência é outra. Muitas vezes é necessário elevar os níveis da vitamina com doses elevadas e fazer a sua manutenção com o suplemento habitual. Avaliação por meio de exames laboratoriais é fundamental!! Não deixe de fazer os exames só porque utiliza o suplemento.

3) Nunca, jamais, em hipótese alguma, substitua o leite materno ou as fórmulas lácteas especializadas por sucos vegetais ou farinha de cereais ou feijões.

O leite materno é uma alimento especialmente "desenhado" para o bebê.

Na impossibilidade de utilização do leite materno, há diversas fórmulas no mercado desenhadas especialmente para a sua substituição. São elas que devem ser utilizadas e nunca misturas improvisadas. As fórmulas específicas têm composição definida de nutrientes (em termos quantitativos e qualitativos). O médico ou nutricionista deve indicar o seu uso quando necessário.


4) A suplementação de ferro para crianças vegetarianas segue a mesma orientação preconizada para as não vegetarianas.

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que toda criança dos 6 meses aos 2 anos de idade receba suplementação de ferro, devido ao elevado índice de anemia nessa faixa etária.

Crianças prematuras devem iniciar a suplementação mais precocemente.

A verificação por meio de exames laboratoriais é fundamental. Deve ser avaliada não apenas os níveis de hemoglobina, mas também de ferritina.


5) Ofereça alimentos ricos em zinco (cereais integrais e feijões) utilizando os métodos de redução do ácido fítico dos grãos.

Deficiência de zinco pode ocasionar redução da velocidade de crescimento, diarréia e infecções em crianças.

É importante saber que pode ocorrer deficiência de zinco mesmo com exames laboratoriais apontando níveis de zinco na faixa de normalidade.


6) A suplementação de vitamina D para crianças vegetarianas segue as mesmas recomendações preconizadas para crianças não vegetarianas.

Apesar da exposição aos raios solares ser uma forma de adequação da vitamina D, sugiro não confiar nessa via de obtenção da vitamina. A minha experiência de consultório demonstra elevado índice de deficiência de vitamina D em pessoas que confiam apenas no sol para a obtenção da vitamina D.

Sugiro sempre dosar os níveis sangüíneos dessa vitamina.


7) Principalmente para as crianças veganas deve-se ficar atento à oferta calórica adequada. A necessidade protéica costuma ser ultrapassada quando a necessidade calórica é atingida com alimentos adequados.

8) Deve-se enfatizar o uso de alimentos mais calóricos de boa qualidade, baseados em grãos: derivados da soja (como tofu), cereais, oleaginosas e sementes (gergelim, girassol...), azeite, óleo de linhaça. Enfatizar o uso do abacate.

Esses alimentos podem, facilmente, ser utilizados na forma de "papinhas".

Caso os grupos alimentares não estejam misturados (ex: sopa ou purê) procure não oferecer as verduras e legumes em grandes quantidades antes dos outros alimentos, pois podem causar sensação precoce de saciedade.

A fibra dos alimentos promove uma maior saciedade. Apesar do uso de grãos integrais (trigo, centeio, aveia, cevada...) ser muito saudável, se houver necessidade de incrementar a ingestão calórica, convém utilizar os seus derivados, como pães, macarrões e seus flocos e farinhas.


Não restrinja a gordura de boa qualidade da dieta da criança com menos de 2 anos de idade!!


Utilize alimentos ricos em gorduras do tipo ômega-3. O óleo de linhaça deve ser enfatizado. Outros óleos (canola, soja - prensados a frio de preferência) e oleaginosas contém boas quantidades de ômega-3, mas a linhaça é a fonte mais rica.

9) Se precisar adoçar algum alimento procure utilizar melado de cana no lugar do mel ou do açúcar refinado.

Não utilize o mel até o final do primeiro ano de vida.


10) Exames de laboratório periódicos são muito bem vindos.

 

Fonte: www.alimentacaosemcarne.com.br

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Tópicos sobre Gestação

Veja alguns breves esclarecimentos para gestantes vegetarianas.

"As dietas veganas e vegetarianas de outros tipos, se bem planejadas, são adequadas para todos os estágios do ciclo vital, inclusive durante a gravidez, lactação, infância e adolescência.
(http://www.eatright.org/cps/rde/xchg/ada/hs.xsl/advocacy_933_ENU_HTML.htm)


"Os bebês de mulheres vegetarianas costumam ter peso ao nascer semelhante ao de filhos de mães não vegetarianas. O peso desses bebês, da mesma forma que o das onívoras, costuma atingir os valores esperados para nascimento".

O'Connell JM, Dibley MJ, Sierra J, Wallace B, Marks JS, Yip R. Growth of vegetarian children. The Farm study. Pediatrics 1989;84:475-481.

Drake R, Reddy S, Davies J. Nutrient intake during pregnancy and pregnancy outcome of lacto-ovo-vegetarians, fish-eaters and non-vegetarians. Veg Nutr 1998;2:45-52.

Lakin V, Haggarty P, Abramovich DR. Dietary intake and tissue concentrations of fatty acids in omnivore, vegetarian, and diabetic pregnancy. Prost Leuk Ess Fatty Acids 1998;58:209-220.

"Os níveis de DHA (derivado do ômega-3) no leite de mães vegetarianas (veganas ou não) parece ser menor do que os níveis das mães não vegetarianas. O DHA tem importante função no desenvolvimento do cérebro e dos olhos. Não encontramos alterações em fetos e bebês de mães vegetarianas devido a esse achado. Ele é apenas um achado, aparentemente sem repercussões clínicas. Para melhorar os níveis do DHA deve-se melhorar a oferta de ômega-3 e adequar a oferta de ômega-6 (reduzir)".

Sanders TAB, Reddy S. The influence of a vegetarian diet on the fatty acid composition of human milk and the essential fatty acid status of the infant. J Pediatr 1992;120:S71-S77.

Hornstra G. Essential fatty acids in mothers and their neonates. Am J Clin Nutr 2000;71(suppl):1262S-1269S.

Gestantes veganas: deve haver suplementação de B12.

Gestantes ovo-lacto-vegetarianas ou lacto-vegetarianas podem não precisar de suplemento de B12, mas convém, além de quantificar a B12 ingerida, dosar os níveis sangüíneos de marcadores de deficiência de vitamina B12. É mais prudente suplementar a B12 na gestante, independete do consumo de ovos, leite e laticínios. Não descuide disso!! Deficiência de B12 na gestação aumenta o risco de má formação fetal (alterações cardíacas e na formação do tubo neural), além de maior risco para a gestante (pré-eclâmpsia).

As recomendações de uso de ferro durante a gestação são as mesmas para gestantes não vegetarianas. Vale lembrar que a anemia ferropriva (por falta de ferro) traz mais chances de um parto prematuro. Muitos profissionais adotam essa conduta para as gestantes não vegetarianas. Segue a mesma orientação para as vegetarianas.

Ao suplementar ferro (para vegetarianas ou não), dependendo da dose, o uso de suplemento de zinco deve ser instituído.

Boas fontes de ômega-3 são importantes também na gestação. Procure enfatizar o uso de linhaça (semente e/ou óleo), óleo de canola e soja. Reduza o uso de óleo de milho, açafrão e girassol. Esses óleos são mais ricos em ômega-6 que, em altas quantidades, podem atrapalhar a metabolização (formação do DHA) do ômega-3. Leia mais sobre o ômega-3 na seção de nutrientes desse site.

Evite ou abandone alimentos ricos em gorduras trans (margarina e alimentos com gordura hidrogenada).

A manutenção de uma oferta calórico-protéica adequada é fundamental.

 

Fonte: www.alimentacaosemcarne.com.br

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Preparando-se para a gestação

Devido a um artigo científico publicado numa revista de pediatria, nas semanas passadas a mídia falou bastante a respeito do risco de má formação de bebês de mães vegetarianas decorrente da deficiência de vitamina B12. Tal fato é relevante e merece atenção.

A fecundação

Após a menstruação o útero é preparado para receber o óvulo fecundado. Diversas alterações hormonais ocorrem no organismo da mulher e, cerca de 14 dias antes da menstruação, ocorre a ovulação.

Após a liberação do óvulo pelo ovário, ele tem 12 horas para ser fecundado. Caso isso não aconteça, a gestação não ocorrerá. O óvulo liberado pelo ovário percorrerá a trompa e chegará no útero, onde poderá se fixar quando fecundado pelo espermatozóide.

O espermatozóide, dentro do corpo da mulher consegue se manter viável por até 72 horas. Isso facilita a fecundação, pois a partir do momento que o óvulo é liberado do ovário, já pode haver espermatozóides prontos para a fecundação, provenientes de relações sexuais anteriores ao dia da ovulação. A maior chance de engravidar ocorre quando há relação sexual no dia anterior à ovulação.

Não havendo a fecundação, o útero que estava pronto para receber o óvulo fecundado (cheio de sangue no interior), ao "perceber" que isso não ocorreu, sofre modificações, soltando toda essa preparação. O seu interior "se solta" ocorrendo assim uma perda de sangue significativa - é a menstruação.

Curiosidade: no momento da implantação do óvulo fecundado no útero, pode ocorrer um pequeno sangramento, que pode ser confundido com a menstruação. Esse sangramento tende a ser bem pequeno, mas mesmo assim, algumas mulheres, especialmente as que têm ciclos irregulares, podem se confundir e pensar que a menstruação ocorreu.

Como saber se a ovulação está ocorrendo?

O organismo da mulher pode demonstrar isso de algumas formas.

Na região da vulva e vagina pode surgir uma secreção mais esbranquiçada e viscosa nesses dias. Muitas mulheres conseguem percebê-la principalmente pela manhã ou no decorrer do dia durante a sua higienização pessoal.

Outra forma de avaliar é por meio da medida da temperatura corporal. Quando a mulher mede a sua temperatura diariamente (com um termômetro comum na axila), pode perceber, no dia da ovulação, um aumento de 0,3 a 0,5 oC, que assim permanece por 11 a 14 dias. Essa avaliação está sujeita a erros, pois em cerca de 20% dos ciclos não ocorre essa alteração.

O que acontece após a fecundação.

Logo após a fecundação ocorre uma divisão celular muito rápida. O bebê começa a se desenvolver.

Esse ponto é crítico quando ocorre a falta de alguns nutrientes, mas em especial o ácido fólico (Vitamina B9) e a vitamina B12, pois ambas são essenciais para que as células possam multiplicar o seu código genético (DNA) e formar novas células.

A deficiência de uma dessas vitaminas, ou de ambas, aumenta muito o risco de má formação fetal, em especial os defeitos no tubo neural.

O tubo neural do embrião, quando não se fecha adequadamente resulta na não formação do cérebro (ocasionando a morte em poucos dias) ou na espinha bífida, que provoca paralisia da parte inferior do corpo além da perda do controle dos intestinos e bexiga. Isso é irreversível!

Nos Estados Unidos da América, para cada 1000 bebês nascidos, um apresenta defeito no tubo neural.

Mulheres com baixos níveis de B12 têm 2,5 a 3 vezes mais chances de ter bebês com defeitos no tubo neural. Já as mulheres com deficiência de B12 têm 5 vezes mais chance de ter o problema.

O pré-natal

Todas as mulheres devem fazer uma avaliação com o seu ginecologista/obstetra antes de engravidar. Essa avaliação, dentre muitas observações, verificará possíveis problemas que podem trazer complicações para a gestação e para a formação do bebê. Um exemplo típico, é o rastreamento de algumas infecções virais, como a rubéola, toxoplasmose, que podem causar malformações irreversíveis ao bebê em formação, como surdez e cegueira.

O ácido fólico é prescrito de forma rotineira para muitas mulheres que querem engravidar. Por quê?

Estudos no passado verificaram que a população onívora apresenta elevados índices de deficiência dessa vitamina e isso, quando presente, coloca em risco a formação do bebê.

Dessa forma, a grande maioria das mulheres que pretendem engravidar recebem do seu médico a orientação de uso de suplemento de ácido fólico (vitamina B9).

De onde provêm essas vitaminas?

O ácido fólico (vitamina B9) é proveniente do reino vegetal (apesar de poder ser encontrado no fígado de animais). Essa vitamina se perde com o aquecimento, portanto, frutas e verduras cruas são as suas principais fontes.

A vitamina B12, já bastante conhecida pelos vegetarianos, está presente nas carnes (fonte mais rica e de mais fácil absorção), leite, queijos e ovos (pior fonte, pois apenas 9% é absorvida).

Em consultório doso essas vitaminas de todos os pacientes que atendo e, até hoje, nunca encontrei um único vegetariano com deficiência de vitamina B9 (muitos inclusive apresentam níveis acima do padrão superior de normalidade), mas tenho inúmeras dosagens apontando deficiência de B12.

Onívoros e vegetarianos: qual é a diferença?

A diferença é marcante!

Os onívoros costuma apresentar um nível sanguíneo (decorrente da ingestão) mais elevado de vitamina B12 e mais baixo de ácido fólico (vitamina B9).

Os vegetarianos apresentam justamente o contrário: um nível sanguíneo mais elevado de vitamina B9 e mais baixo de B12.

Isso significa que as mulheres onívoras têm um risco maior de má formação fetal por deficiência de vitamina B9, enquanto as vegetarianas têm por falta de B12.

O movimento mundial

Como medida de saúde coletiva, há incentivo ao uso de vitamina B9 para todas as mulheres que querem engravidar. Vale lembrar que o olhar global tende a ser para a massa da população, ou seja: onívoros.

Não é à toa que além desse incentivo de suplementação para a gestação, as farinhas são enriquecidas com ácido fólico.

O alarme sobre a deficiência de B12 ocasionando a má formação fetal em bebês de mães vegetarianas, especialmente veganas é um fato a ser considerado e mais um motivo que damos ênfase à suplementação em vegetarianos, especialmente na gestação e pré-concepção.

Como a população vegetariana está aumentando, é bastante coerente que as medidas de saúde coletiva sejam voltadas para atender os potenciais riscos dessa população, especialmente com relação à deficiência de B12 (ponto mais importante da dieta vegetariana).

Condenar a dieta vegetariana para gestantes é um erro

Alguns cientistas, frente ao maior risco de deficiência de B12 em vegetarianas, condenam a sua adoção na gestação.

Esse raciocínio é limitado!

Se fossemos adotar esse mesmo pensamento ao descobrirmos que as onívoras têm esse mesmo risco, mas com relação à deficiência de B9, ninguém incentivaria a dieta onívora para gestantes.

O foco a ser trabalhado, assim como foi feito com as onívoras, é incentivar os profissionais de saúde a prescreverem o uso de B12 para vegetarianos e incentivar medidas públicas visando a adição de B12 em gêneros alimentícios.

Suplemento de B9 e B12 para gestantes vegetarianas. Quando?

De forma geral, eu poderia sugerir: de B12 sempre; de ácido fólico às vezes.

Quando temos os exames laboratoriais dosando essas vitaminas, pode não ser necessário fazer nenhum tipo de suplementação, desde que os níveis estejam normais ou elevados.

Se a mulher é vegetariana, muito provavelmente não precisaria fazer uso de suplementação de ácido fólico, mas seria prudente fazer de B12. Não havendo exames dosando essas vitaminas, o mais prudente seria suplementar ambas.

Havendo deficiência de B12 e principalmente quando é necessário corrigi-la rapidamente, dependendo dos níveis sanguíneos de ácido fólico, pode ser necessário suplementá-lo junto, pois o metabolismo de B12 solicita o ácido fólico e ele será consumido. Essa avaliação deve ser feita pelo seu médico, sempre avaliando os exames laboratoriais desses nutrientes, assim como os níveis de ferro no organismo.

Não dê mole para a B12!

A deficiência é muito freqüente em vegetarianos e os efeitos na gestação, especialmente no seu início, são graves e irreversíveis!

Mantenha sempre a sua B12 acima de 490 pg/mL.

 

Fonte: www.alimentacaosemcarne.com.br
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