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TÓPICO: Entrevista 3

Entrevista 3 11 anos 2 meses atrás #1056

Oi Sérgio, tudo bom?

O Thales Trez me indicou você para me ajudar com minha matéria sobre o DVD
do Instituto Nina Rosa, Não Matarás.

Vi que você escreveu o livro Alternativas de animais vivos na Educação em
parceria com o instituto.
Você poderia me responder algumas perguntas? Vou te enviar por e-mail, mas
se preferir, posso conversar com vc pelo tel.

1. Quais são as alternativas para a substituição da vivissecção na educação?
2. Pq existe uma resistência para que isso aconteça?
3. Apesar de estar provado que usar animais na fabricação de remédios não é
sucesso garantido, pq essa prática continua? Seria uma forma de especismo,
ou está mais ligado ao comércio de animais e produtos?
4. Conte-me algum caso de sucesso em que foi implementada alguma alternativa
eficaz


obrigada!
abs

Cristiane Senna

Repórter - Redação Online

Editora Globo


Oi Cristiane:
Bom dia.
Apenas agora peguei seu e-mail. Eu estava viajando de férias e só voltei
hoje. Ainda posso ajudar respondendo às suas perguntas? Aqui vai:

1. Quais são as alternativas para a substituição da vivissecção na educação?

Os recursos que podem ser utilizados para substituir o uso de animais na
educação são muito variados e dependem principalmente de qual utilização
pretende-se dar aos animais. As alternativas mais simples compreendem a
utilizam de bons livros textos, atlas de anatomia e aulas bem dadas pelo
professor. Outros recursos são softwares educacionais, filmes, modelos
computacionais, manequins e modelos manipuláveis. Há ainda a possibilidade
de se realizar procedimentos não invasivos em si mesmo ou em colegas em sala
de aula.
Estes são apenas alguns exemplos, mas cada professor pode elaborar seu
próprio material didático. Por exemplo, existem cirurgiões que treinam sua
destreza manual em laranjas. É uma técnica que eles desenvolveram e utilizam
para manterem-se treinados. Isto poderia ser utilizado também por seus
estudantes.


2. Pq existe uma resistência para que isso aconteça?

Por diferentes motivos estamos condicionados a pensar que o aprendizado na
área de saúde ocorre apenas quando o estudante é exposto ao sofrimento do
paciente, ao sangue etc. Então é natural que, de acordo com nossa moralidade
e em nossa escala de valores, façamos preferência pelo uso de um animal não
humano do que simplesmente utilizamos seres humanos como cobaias. Ocorre que
não é uma questão de utilizar um rato ou um cachorro em vez de um ser
humano, como se coloca. Estas não são as duas unicas possibilidades.

A formação acadêmica de certa forma ocorre como uma iniciação discipular.
O estudante tende a ser como seu instrutor. Se seu orientador adota
determinada metodologia de pesquisa, o orientado tenderá a adotar a mesma,
sendo que poucas modificações são realizadas ao longo do tempo. É natural
que as pessoas continuem seguindo uma metodologia que já está bem
estabelecida, ainda que os resultados sejam assumidamente questionáveis.




3. Apesar de estar provado que usar animais na fabricação de remédios não é
sucesso garantido, pq essa prática continua? Seria uma forma de especismo,
ou está mais ligado ao comércio de animais e produtos?

Animais são utilizados na fase de testes de produtos. Certamente os
resultados não são garantidos e as empresas sabem disto, mas estes testes
são exigência legal para a colocação do produto no mercado. Se fosse
interessante para as industrias, certamente estes testes deixariam de ser
uma exigência legal, mas a realização destes testes protege a industria
contra a ação de consumidores prejudicados. Quando uma industria coloca no
mercado um shampoo que não arde nos olhos de coelhos albinos e este passa a
causar efeitos adversos aos olhos de bebês humanos, a industria pode se
proteger alegando que todos os testes exigidos pela lei haviam sido
realizados e que os bebês prejudicados estão dentro de uma curva de efeitos
adversos aceitáveis. Isto significa que o produto não necessariamente deverá
ser retirado do mercado, mas deverá trazer uma nota informado que
determinadas pessoas poderão apresentar problemas com seu uso. Estes
consumidores dificilmente ganharão um processo contra esta empresa.


4. Conte-me algum caso de sucesso em que foi implementada alguma alternativa
eficaz.

Na USP/S.Paulo as aulas de técnicas cirúrgicas não mais utilizam animais
vivos. Anos atrás esta disciplina utilizava a cada semestre dezenas de cães
que eram submetidos a diferentes procedimentos cirúrgicos e depois eram
descartados como lixo. Gradativamente, a professora responsável pela
disciplina, Dra. Julia Matera, passou a adaptar uma metodologia de
preservação de cadáveres onde os tecidos continuam maleáveis ao longo do
tempo. Desta forma, estes cadáveres podem ser manipulados indefinidamente
pelos estudantes e não há necessidade de utilização de animais vivos.

Espero ter ajudado e desculpe pela demora em responder.

abraços

Sérgio Greif

Oi Sérgio, tudo bom?
Então, infelizmente a matéria entrou no ar no sábado...
Mas muuuito obrigada!

A luta pela libertação animal continua, e com certeza irei precisar de sua
ajuda para outras matérias..
Olha como essa ficou:
revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT1199034-1655,00.html
Link de uma outra matéria que eu fiz... sobre o livro Jaulas Vazias:
revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT1157630-1655,00.html
bjos

Cristiane Senna

Repórter - Redação Online

Editora Globo

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