Oi Sergio
Jogo a toalha.... não tenho mais argumentos... estou convencida. Não temos o que fazer em um comitê de ética.
Posso argumentar a favor que, tendo gente nossa, garantimos a assistência de um veterinário (deles?????), garantimos um mínimo conforto aos animais, podemos garantir, eventualmente, a redução do número de animais, podemos, também eventualmente, evitar que algum experimento seja realizado. mais do que isso não consigo ir... E isso não é o suficiente. Na relação "custo benefício" para a causa, os cutos seriam muito mais pesados....
Uma pergunta: não fazendo parte do comitê, como podemos ficar "de olho"no que estão fazendo?
Obrigada pela tua paciência... ela me ajudou muito, mas muito mesmo... fico te devendo essa...
Agora ficamos aqui com mais tres desafios... encontrar formas efetivas de atuação (especialmente de entrar na universidade), ver o que fazemos com a lei que prevê a participação de protetores nos comitês (e de ontem para hoje dois representantes de ONGs passaram a integrar comitês...) e trabalhar para convencer o pessoal da proteção das idéias e dos conceitos que apresentastes (essa vai ser outra encrenca... )
Agora me ocorreu outra pergunta... "NÃO ESTÁS PENSANDO EM VIR TRABALHAR AQUI PELO RS?????? hehehehehe
Já está tarde e vou encerrar meu expediente por hoje... amanhã é outro dia... e com esse assunto gastei um estoque de neurônios que deveriam me durar mais uns 45 dias... hihihi
mais uma vez, obrigada pela ajuda, foi valiosa
bjs
mluiza
Oi Maria Luiza:
Mesmo não fazendo parte de um comitê de ética, a sociedade tem o direito de ter acesso aos projetos que são submetidos aos mesmos. Ainda mais no que se refere a universidades públicas. Mesmo onde não existem comitês de ética é possível acessar os projetos submetidos às agências de fomento à pesquisa.
Sobre os seus três problemas que você disse que terá que enfrentar:
1) Encontrar formas efetivas de atuação (especialmente de entrar na universidade)
A forma mais efetiva que vejo é através da educação e do bom exemplo. O mais importante é que você consiga provocar a mudança nas pessoas, porque não adianta nada fazer a cabeça delas mas não fazer com que mudem. Por isso, dar o exemplo e não apenas ficar falando o quanto os animais são importantes para nossa sociedade ou outros discursos vazios. O problema real é mais exato, é nele que devemos focar.
Se você tem acesso aos estudantes, veja quais são mais suscetíveis à mensagem . Falar com o reitor ou com o diretor do instituto e convencê-lo será mais difícil porque, mesmo que eles se sensibilizassem, teriam outros interesses envolvidos. Mas os estudantes ainda não estão com a política até o pescoço, são inteligentes e abertos a novas idéias.
Em resumo, as mudanças que vem pra ficar vem de baixo. As que vem de cima logo são derrubadas.
2) Ver o que fazemos com a lei que prevê a participação de protetores nos comitês (e de ontem para hoje dois representantes de ONGs passaram a integrar comitês...)
Eu não faria nada com esta lei. A lei não obriga protetores a participarem de comitês, ela obriga os comitês a aceitarem protetores. Basta que nenhum protetor participe e pronto. Pra ficar ainda mais bonito vocês podiam escrever uma carta bem educada explicando porque se recusam a fazer parte do comitê.
3) trabalhar para convencer o pessoal da proteção das idéias e dos conceitos que apresentastes (essa vai ser outra encrenca... )
É, eu sei bem do que você está falando. Já tive contato com protetores de animais e sei que é mais difícil convencê-los do que convencer uma pessoa que não esteja de forma alguma envolvida com animais. Isto porque por natureza o protetor de animais acredita que o que ele faz é muito (já notou como eles sempre mostram o que fizeram e o que continuam fazendo?) e que quem faz mais do que isto é "radical". Protetores se colocam como 'mártires', e não me identifico com isso, porque se você está fazendo tem que ser por amor e não como se carregasse um fardo. Prefiro as pessoas que não fazem nada pelos animais, tampouco os prejudicam. Mas esta é uma opinião pessoal minha.
O que posso te dizer é que se as pessoas com quem você está trabalhando estão se engajando em ações onde os animais não são beneficiados, pelo contrário, então está na hora de procurar outros parceiros de atividade. Eu nunca fiz parte de uma sociedade de proteção animal, porque quando fui procurá-los eles não eram anti-vivisseccionistas, e ainda pior, sequer eram vegetarianos. Agora parece que eles não promovem mais churrascos beneficentes, mas até pouco tempo atrás ainda faziam.
O que penso é que bem melhor são poucas pessoas trabalhando de forma coesa do que muitas pessoas trabalhando na base do oba-oba. Eu não me preocuparia com os protetores de animais, se eles não forem contigo você arruma outras pessoas que trabalhem direito. Não pretendo ir para trabalhar no RS, mas até que não seria ruim. Gosto daí.
Você não me deve nada. É com muita satisfação que percebo que você entendeu a argumentação. Muitas pessoas me escrevem e ouvem esta mesma argumentação, mas não captam a mensagem e acabam fazendo o oposto, porque acreditam que tudo o que é feito utilizando o nome 'animal' é em seu beneficio. Na prática acontece o oposto. 'Bem-estar animal' não pode ser confundido com 'libertação animal', porque uma coisa nos leva para um lado e a outra para o outro.
beijos
Sérgio