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Nutrição

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Vitaminas

Vitaminas são compostos orgânicos presentes naturalmente nos alimentos. Elas se encontram em pequenas e diferentes quantidades e são fundamentais para o metabolismo normal.

As vitaminas possuem funções corporais específicas.

A falta de uma vitamina causa prejuízos ao bom funcionamento do organismo.

Algumas vitaminas, quando em excesso, apresentam efeitos tóxicos.

As vitaminas são divididas em 2 grandes grupos:

1- Insolúveis em água, ou solúveis em gordura (lipossolúveis): vitaminas A, D, E e K.

2- Solúveis em água (hidrossolúveis): vitaminas do Complexo B e Vitamina C.

Há compostos com atividades ainda não completamente elucidadas, como colina, inositol, ácido pangâmico, ácio orótico, vitamina U, vitamina F.

 

Fonte: www.alimentacaosemcarne.com.br

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Minerais

minerais

Minerais são compostos com funções essenciais ao organismo.

Eles podem atuar isoladamente ou fazendo parte de compostos, como hormônios, enzimas, secreções e proteínas.

Eles podem ter ação sinérgica entre si. Assim, o excesso ou deficiência de um pode interferir no metabolismo do outro.

Eles podem ser classificados como se segue:

Eletrólitos

Sódio, potássio, cloro.

Macronutrientes ou minerais

Cálcio, magnésio, fósforo e enxofre

Micronutrientes essenciais ou elementos-traços

Ferro, cobre, zinco, selênio, cromo, iodo, manganês, molibdênio e níquel.

Elementos ultratraços

Cobalto, flúor, silício, vanádio, estanho, chumbo, mercúrio, boro, estrôncio, lítio, cádmio e arsênico.

 

Fonte: www.alimentacaosemcarne.com.br

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Colesterol elevado

As doenças cardiovasculares são as principais causas de morte no Brasil.

As suas manifestações mais conhecidas são o infarto agudo do miocárdio (músculo cardíaco), insuficiência cardíaca e morte súbita.

A redução dos níveis sanguíneos de colesterol é ima intervenção eficaz na redução do surgimento das doenças cardiovasculares. Estudos demonstram que para cada redução de 10% de colesterol no sangue, há uma redução de 15% do risco de morte por doenças cardiovasculares.

Autor: Dr Eric Slywitch

Dislipidemias (alteração das gorduras no sangue)
No Brasil, o excesso de colesterol no sangue (definido como um valor maior do que 200 mg/dL) ocorre em 38% dos homens e 42% das mulheres. Os níveis mais elevados são encontrados nos idosos e nas mulheres.
Uma reunião de 9 estudos, apontou uma redução do colesterol em 14% nos ovolactovegetarianos e 35% nos vegetarianos estritos quando comparados com os onívoros.
Outro estudo, reunindo 76.000 pessoas demonstrou que, quando comparado com os onívoros, os vegetarianos apresentavam redução de mortalidade por doenças cardiovasculares em 31% nos homens e 20% nas mulheres.

Que é o colesterol?
O colesterol não é um componente do mal. Ele é vital para o funcionamento do organismo, desempenhando diversas funções, fazendo parte das membranas das células e sendo utilizado como matéria-prima para a produção de vitamina D e outros hormônios.
O problema é quando ele está em excesso, ou quando os seus transportadores estão desbalanceados!

Importante
A maior fonte de colesterol no organismo é a produção pelo nosso fígado. Isso mesmo! Cerca de 80% do colesterol que circula no organismo de um onívoro foi produzido pelo fígado e cerca de 20% vem da dieta.
Portanto, tão importante quanto reduzir a ingestão de colesterol, é ajustar a produção dele pelo fígado.

Colesterol bom e ruim
Você já deve ter ouvido falar que existe o colesterol bom e o ruim, não ouviu? Isso é mentira! Colesterol é colesterol, não tem um tipo bom e outro ruim. O que existe são transportadores de colesterol diferentes no sangue. Como esses transportadores são proteínas (que carregam os lipídios), são chamados de lipoproteínas.
É importante que não haja muita gordura no sangue, pois isso pode acelerar a obstrução de vasos sanguíneos.
A lipoproteína que leva o colesterol dos depósitos para o sangue é a LDL (low density lipoprotein), sendo popularmente conhecida como o colesterol ruim.
A lipoproteína que leva o colesterol do sangue para os depósitos é a HDL (high density lipoprotein), popularmente conhecida como colesterol bom, já que "limpa" o colesterol circulante.
Portanto, é bom termos o LDL baixo e o HDL alto.

A formação da placa de gordura nos vasos sanguíneos
A formação de placas de gordura nos vasos sanguíneos tem relação com o colesterol em excesso circulante.
A longo prazo isso pode causar uma obstrução ao fluxo de sangue e ao local que esse vaso irriga. Imagine isso ocorrendo num vasinho do coração. O local que esse vasinho levava sangue ao músculo cardíaco fica sem oxigênio (já que é através do sangue que o oxigênio é levado aos tecidos), ocorrendo o sofrimento e até a morte dessa musculatura. Isso é um infarto agudo do miocárdio.

A aterosclerose é um processo silencioso
A progressão do entupimento dos vasos é um processo que não traz sintoma algum. Metade das pessoas têm a sua primeira manifestação através de um infarto. Não descuide! Faça anualmente uma avaliação médica e a dosagem dos níveis sanguíneos do colesterol.

Avaliação laboratorial das dislipidemias
Para a avaliação é necessário que você esteja em jejum por 12 a 14 horas por causa dos triglicérides. Avaliamos os níveis de colesterol total, HDL, LDL e dos triglicérides do sangue.

As minhas gorduras no sangue estão alteradas. O que devo fazer?
A primeira atitude é se abrir para modificar o seu estilo de vida e a alimentação.

TERAPIA NUTRICIONAL

A IV Diretriz Brasileira Sobre Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia de 2007 é bastante enfática nas modificações no estilo de vida.

Colesterol e gorduras saturadas
As gorduras (tipo e quantidade) presentes nos alimentos influenciam os níveis de colesterol no sangue.
Existe um limite na absorção intestinal do colesterol ingerido. A maioria da população absorve metade do colesterol ingerido, enquanto pequena parte absorve maior quantidade. O colesterol é encontrado apenas em alimentos de origem animal.
Já a absorção de gordura saturada é ilimitada. A sua ingestão promove impacto negativo nos níveis de colesterol. Para reduzi-la, restrinja a ingestão de gordura animal.
Reduza a ingestão de ácido láurico (óleo de coco), ácido mirístico (gorduras animais, óleo de coco, leite e derivados) e ácido palmítico (gorduras animais e azeite de dendê).

Ácidos graxos insaturados
A substituição (mantendo o mesmo número de calorias) de gordura saturada por gorduras poliinsaturadas (principalmente ômega-6, encontrado no óleo de soja, milho e girassol) reduz o colesterol total e o LDL. O inconveniente do ômega-6 é que ele reduz o HDL, se utilizado em grande quantidade.
O ômega-3 (linhaça, canola e soja) reduz os triglicérides e também a viscosidade do sangue; tem um efeito antiinflamatório e previne trombose.
O ômega-9 (azeite de oliva, canola, abacate, nozes, amêndoas) atua da mesma forma que o ômega-6, mas tem um efeito mais adequado por reduzir o colesterol total e o LDL, mas sem reduzir o HDL.

Ácidos graxos trans
São formados durante o processo de hidrogenação de óleos vegetais.
Eles elevam os triglicéride e o LDL e reduzem o HDL, ou seja: tudo de ruim!!
Muito cuidado com a gordura vegetal hidrogenada: sorvetes cremosos, chocolates, pães recheados, molhos prontos para salada, sobremesas cremosas, biscoitos recheados, alimentos crocantes (nuggets, croissants, tortas), bolos industrializados, margarinas duras e "fast foods".

Fibras
As fibras chamadas solúveis (feijões, aveia, cevadinha, maçã) reduzem o tempo de trânsito intestinal e a absorção do colesterol. O farelo de aveia é um dos alimentos mais ricos nesse tipo de fibra. Um fato interessante desse tipo de fibra é que quando elas chegam ao intestino grosso, as bactérias a utilizam e produzem alguns tipos de gorduras que chamamos de ácidos graxos de cadeia curta. Esses ácidos são absorvidos, vão até o fígado e reduzem a produção de colesterol que ele sintetiza.

Fitoesteróis
São encontrados apenas em vegetais.
Eles competem com o colesterol para serem absorvidos, reduzindo assim a absorção do colesterol. A ingestão necessária para reduzir em 10 a 15% o LDL é de 2 g/dia. Uma dieta onívora balanceada fornece 200 a 400 mg de fitoesteróis. Não dispomos de dados com relação à ingestão em dietas vegetarianas.

Proteína de soja
A ingestão de 25 gramas por dia de proteína de soja reduz o LDL do sangue em 6%.

Antioxidantes
Os antioxidantes são fundamentais para manter as lipoproteínas íntegras e evitar que a gordura que elas carregam sejam "jogadas" nos vasos sanguíneos.
Os flavonóides (qüercitina, campferol, miricetina e crisina) são antioxidantes encontrados em diversos alimentos (verduras, cereja, amora, uva, morango, jabuticaba, grãos, sementes, castanhas, condimentos, ervas, suco de uva, vinho e chá).
Outros antioxidantes são as vitaminas E, C e o beta-caroteno.
A alimentação adequada é considerada a melhor forma de adquirir esses componentes, não havendo recomendação sistematizada para suplementação.

Café
Os grãos de café contém duas substâncias (cafestol e Kahweol) que elevam o colesterol. Quando se faz o café e ele é coado em filtro de papel, parte dessas substâncias são separadas da bebida.
O café feito em coador de pano, ou do tipo expresso não deve ser utilizado.

Álcool
Deve ser completamente abolido para quem tem triglicérides elevado.
Com relação ao colesterol, parece ter efeito positivo (aumentando o HDL e inibindo a agregação plaquetária) quando consumido com moderação (350 mL de cerveja, 30 mL de destilado e 100 mL de vinho por dia).
Muita atenção aqui! Apesar desse efeito positivo sobre o colesterol, o efeito do álcool é desastroso sobre o açúcar no sangue (diabéticos), aumenta a pressão arterial, causa alterações gastrointestinais, câncer de pâncreas e cirrose.

ATIVIDADE FÍSICA
A atividade física aeróbia, praticada regularmente, reduz os níveis sanguíneos de triglicérides e aumenta o de HDL. Os níveis de LDL não são modificados de forma significativa, mas a sua renovação no sangue é mais rápida, o que também reduz o risco de doenças cardiovasculares. Seria algo como "não deixar o LDL ficar velho".
Pessoas que têm problemas cardiovasculares devem praticar atividade física supervisionados por uma equipe multiprofissional.

Quando entra a medicação no tratamento do colesterol elevado?
A medicação deve ser instituída em duas condições:
a) Quando as modificações no estilo de vida não apresentam efeito satisfatório na redução do colesterol;
b) quando o risco à saúde da pessoa é elevado a ponto de não podermos aguardar o tratamento baseado na alimentação e estilo de vida surtir efeito.
Durante o uso da medicação as medidas comportamentais e nutricionais sempre devem ser seguidas. Medicação não significa poder voltar a se alimentar inadequadamente.

 

Fonte: www.alimentacaosemcarne.com.br

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Prisão de ventre

Obstipação intestinal, ou prisão de ventre, é uma alteração do trânsito intestinal que resulta na diminuição do número de evacuações e alteração na sua consistência (ressecamento).

Autor: Dr Eric Slywitch

Conhecendo o trânsito intestinal

Ao colocarmos um alimento na boca, começa o processo digestivo. Esse material, em processo de digestão, percorrerá todo o tubo digestivo, onde haverá o término da sua digestão e a absorção dos nutrientes e compostos presentes nele, até atingir o intestino grosso, onde será formado o bolo fecal para ser eliminado.

Esse trajeto é bastante longo. Da boca ao ânus são cerca de 9 metros, sendo 25 cm de esôfago, 25 cm de estômago, 7 metros de intestino delgado (ponto importantíssimo para a absorção dos nutrientes) e 1,5 metros de intestino grosso.


Quanto tempo demora para o alimento ingerido chegar no intestino grosso?

Isso pode variar conforme o tipo de alimento ingerido e a sua preparação.

O alimento costuma permanecer no estômago de 1 a 5 horas, dependendo da sua composição. Quando ingerimos alimentos liquidificados, o esvaziamento do estômago começa após 5 minutos. Quando o alimento é sólido, esse esvaziamento tem início após 20 a 25 minutos.

A passagem pelo intestino delgado costuma ocorrer em 90 minutos (o seu conteúdo caminha numa velocidade de 10 centímetros por minuto). Nesse trajeto a digestão se completa e a absorção dos nutrientes é bastante intensificada.

Assim, para o conteúdo chegar ao intestino grosso, pode ser necessário 1,5 a 6,5 horas.

O intestino grosso.

É aqui que as fezes serão formadas.

O intestino grosso tem uma forte atuação na retirada de água do material que está dentro dele.

Para que você tenha uma idéia, diariamente chega ao intestino grosso cerca de 1500 ml de conteúdo digestivo (que chamamos de quimo), mas apenas 100 ml saem pelas fezes.

O intestino grosso tem a capacidade de absorver 5 a 7 litros de água por dia.

Quanto mais tempo a pessoa fica sem evacuar, mais água é retirada das fezes. Com isso o conteúdo fecal fica ressecado e endurecido. Assim, as fezes diminuem de volume, o esforço para defecar é maior e pode haver dor.

Por que ao evacuarmos diariamente a quantidade de fezes é maior do que quando evacuamos menos?

Há uma tendência a pensarmos que, se ficarmos alguns dias sem evacuar, acumularemos mais fezes e o volume será maior ao evacuar. No entanto, como as fezes vão sendo desidratadas (lembre-se de que o intestino grosso vai retirando a água delas) o seu volume fica menor.

O que causa a prisão de ventre?

As causas mais comuns são os hábitos inadequados. No entanto, é importante lembrar que existem doenças que podem levar à obstipação intestinal (ou intensificá-la) como em alguns diabéticos (neuropatia diabética), alguns tumores de intestino, hemorróidas, hipotireoidismo...

Muitas medicações também podem causar prisão de ventre.


Como fazer para ajustar o funcionamento intestinal?

Movimente-se!

Atividade física é bastante importante para fortalecer a musculatura abdominal e ativar o peristaltismo (movimento dos intestinos).

Se você tem contato com idosos que permanecem acamados, poderá verificar que eles tendem a ser obstipados. A falta de evacuação pode levar a um endurecimento tão importante das fezes que elas quase se transformam numa pedra. Chamamos isso de fecaloma. Muitos idosos são levados ao pronto-socorro para que esse fecaloma seja removido, e esse processo pode ser feito manualmente, o que é bastante desagradável e dolorido.

Para quem pratica Yoga, existe uma técnica chamada Nauli, que trabalha intensamente a musculatura abdominal, massageando os órgãos internos do abdômen. É um excelente exercício para quem precisa ativar o funcionamento intestinal.


Se deu vontade de evacuar, vá em frente!

Nunca segure as fezes, pois elas ficarão cada vez mais ressecadas.
Muitas pessoas, pela vida corrida, pela falta de hábito de ter um horário para evacuar, ou por estarem fora de casa, não permitem a si mesmos sentarem no vaso sanitário o número de vezes suficiente por dia para estimular a evacuação, ou para evacuar cada vez que tem vontade. Procure modificar isso.

Por que temos mais vontade de evacuar pela manhã?

Toda vez que ingerimos um alimento, ao chegar no estômago, ele dá um sinal para o intestino grosso funcionar. Esse aviso vai do estômago (gastro) para o intestino grosso (cólon). Chamamos esse estímulo de reflexo gastro-cólico. Esse estímulo ocorre em todas as refeições, mas costuma ser mais intenso pela manhã. Assim, muitas pessoas têm o hábito de evacuar pela manhã.
É comum a preocupação de alguns vegetarianos, questionando se é saudável evacuar várias vezes por dia. Sim, é saudável, desde que as fezes estejam com uma consistência adequada.

E se a vontade de evacuar não aparece?

Algumas pessoas não sentem a vontade de evacuar, ou não percebem quando ela aparece. É necessário, muitas vezes, criar um hábito para quem não tem. Se a vontade não existe, eduque-se para, todos os dias, permanecer algum tempo sentado no vaso sanitário, mesmo sem vontade. Isso ajuda a criar o condicionamento.

Beba água!

A hidratação é fundamental para não ressecar as fezes.

Como o intestino grosso tem função de retirar água das fezes, quando a ingestão de líquidos é menor, ele tende a retirar água mais intensamente das fezes. O ressecamento é inevitável.

O que vale é a hidratação. Pode ser água, suco, chá...

Coma fibras!

A ingestão de fibras é fundamental para o bom funcionamento intestinal.

As fibras são carboidratos não digeríveis, ou seja, elas passam por todo o trato gastrointestinal e chegam no intestino grosso.

Bactérias adoram fibras. O intestino grosso é o local do nosso corpo onde as bactérias existem em maior abundância.

Assim, quando as fibras chegam no intestino grosso, as bactérias começam a "trabalhar" nessas fibras, produzindo, dentre outras coisas, glicose. Essa glicose puxa a água para as fezes, fazendo com que o volume das fezes aumente e a perda de líquido delas seja mais lenta. Ou seja, as fezes ficam maiores, mais úmidas e macias. Isso é importantíssimo, pois o contado das fezes pressionando o interior do intestino grosso (a sua parede), gera a vontade de evacuar. Se essas fezes se tornam ressecadas, o estímulo delas na parede interna do intestino grosso é reduzido, o que diminui a vontade de evacuar.

Há tipos diferentes de fibras, sendo as que chamamos de insolúveis, as mais adequadas para executar uma função "laxativa".

A recomendação de utilizar verduras e frutas (mamão, laranja com bagaço, manga...) é bastante conhecida para quem é obstipado. O que vale a pena enfatizar aqui é o consumo de cereais integrais em grão.

Os alimentos refinados são péssimas escolhas para quem tem prisão de ventre. Eles estão presentes em diversos alimentos industrializados.

A forma mais simples e eficiente de eliminar a obstipação está na adoção de uma dieta composta exclusivamente por alimentos naturais e integrais. Na prática clínica, dentre os cereais integrais em grão, o centeio em grão e o milho (da espiga, não da lata) têm sido os mais eficientes para intensificar o trânsito intestinal. Utilize também o arroz integral, trigo em grão e a linhaça em grão.

Não se engane! Os produtos derivados dos grãos integrais, como o pão integral e o macarrão integral que encontramos nos mercados, não costumam ter uma quantidade adequada de farinha integral. Eles não têm os mesmos efeitos que o uso do grão.

O uso de farelos, especialmente de trigo também pode ser utilizado, mas você vai perceber, na prática, que se a sua alimentação for composta por cereais em grão, ele se tornará desnecessário.

A regra é simples: utilize o que é natural e integral. Retire o que é refinado e processado.

Utilize ameixa preta!

A ameixa preta (fresca, desidratada, ou o seu suco) contém um ácido chamado diidroxifinil isotina. Esse ácido estimula a movimentação (motilidade) dos intestinos.

Não se esqueça que o que vale na alimentação é o conjunto dela. O uso isolado de mamão, ameixa, farelo de trigo e semente de linhaça, por exemplo, pode ser uma boa opção para quem tem prisão de ventre, mas se a alimentação como um todo for natural e integral, o intestino funciona por si só. Geralmente, nesse caso, mesmo com hábitos inadequados (inatividade física e irregularidade para ir ao banheiro), a pessoa não consegue resistir ao estímulo para evacuar, pois ele se manifesta intensamente.

Cuide bem da sua flora intestinal!

Cerca de 30% das fezes são compostas por bactérias mortas.

Uma flora bacteriana intestinal adequada traz inúmeros benefícios para a saúde do intestino e do organismo como um todo.

A flora intestinal se modifica conforme o substrato que recebe. Uma flora benéfica adora compostos de origem vegetal. Compostos chamado de frutooligossacarídeos, como a inulina, são importantes para que bactérias benéficas permaneçam no intestino em boa quantidade. Alimentos como a escarola, alho poró e alcachofra são ótimos para fornecer esse composto.

O odor das fezes tem uma forte relação com a flora intestinal, e costuma ser mais ameno nos vegetarianos. Muitos vegetarianos que têm uma alimentação totalmente integral e natural não apresentam fezes com odor desagradável.

Algumas pessoas utilizam o que chamamos probióticos, que são bactérias benéficas que passam pelo trato gastro intestinal sem serem destruídas e colonizam o intestino grosso. Essa alternativa para melhorar a flora intestinal é válida, mas desnecessária para uma pessoa que conseguiu adotar uma alimentação integral.

Fique tranqüilo!

Para evacuar é necessário estar tranqüilo! O nosso sistema nervoso (parassimpático) tem uma ação importante no reflexo da evacuação.

Fazer coco com pressa não dá muito certo.

Calma aí! Tem 2 trenzinhos!

Já que é para evacuar, faça direito!

Quando evacuamos, inicialmente esvaziamos o conteúdo intestinal que está mais próximo do ânus. É o primeiro trenzinho!

Se você aguardar mais alguns minutos, o conteúdo de fezes, já formada, que estava mais para cima do intestino, vai descer. Esse é o segundo trenzinho!

Elimine os dois!

 

Fonte: www.alimentacaosemcarne.com.br

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Refluxo

Há alguns meses recebi um e-mail de uma leitora solicitando que abordasse esse assunto.

 

Apesar de não existirem estudos que fizeram comparações sobre a incidência desse problema entre vegetarianos e não vegetarianos, por ser um problema relativamente comum mesmo entre vegetarianos, vale a pena conversarmos sobre ele.


O processo digestivo

Quando ingerimos um alimento, ele desce pelo esôfago até chegar no estômago. O estômago contém enzimas digestivas e uma acidez bastante pronunciada. Esse ácido não deve voltar para o esôfago, pois isso causa lesões (feridas) no esôfago.

Assim, para proteger o esôfago do ácido, no final dele há uma maior pressão da sua musculatura que, contraída, impede que o ácido gástrico volte para o esôfago. A essa região chamamos esfíncter inferior do esôfago.

O retorno do suco gástrico para o esôfago é chamado de refluxo gastroesofágico (do estômago - gastro - para o esôfago). O refluxo é considerado um dos problemas mais comuns do tubo digestivo e pode se manifestar com diversos sintomas.

Sintomas do refluxo

Os principais sintomas que a pessoa que tem refluxo apresenta são:

- Azia;

- Regurgitação ácida;

- Queimação na "boca do estômago" que pode irradiar até a região do pescoço. Chamamos essa sensação de queimação retroesternal, por se localizar "atrás" do osso tórax, que chamamos esterno. Essa localização nada mais é do que o local onde o esôfago fica.

Quem tem dor de estômago deve fazer exames?

Nem sempre. A indicação de realização de exames deve ser feita pelo médico.

De forma geral, pessoas com menos de 40 anos de idade que apresentam queimação e regurgitação menos de duas vezes por semana, sem as manifestações de alarme (que descrevo à frente) e com as manifestações há menos de 4 semanas podem ser submetidas a um teste terapêutico, que consiste no uso de medicações específicas e modificações comportamentais (descritas à frente).


As manifestações de alarme

As pessoas que apresentam manifestações de alarme são as principais candidatas para realização de exames mais específicos.

As manifestações de alarme são:

- dificuldade para engolir;
- dor para engolir;
- anemia (provocada por pequenos sangramentos no esôfago);
- hemorragia digestiva e emagrecimento;
- história familiar de câncer;
- náuseas e vômitos;
- sintomas de grande intensidade e/ou de ocorrência noturna.

As manifestações atípicas

A ausência de sintomas típicos não exclui o diagnóstico da doença, pois a doença do refluxo pode se manifestar de diversas formas:

- com dor torácica que pode lembrar a dor cardíaca. Isso ocorre pois a dor no esôfago pode ser confundida com a dor no coração;

- com sintomas pulmonares, pois o ácido do estômago pode voltar para o esôfago e penetrar nos pulmões. Os sintomas, nessas condições, são: asma, tosse crônica, tosse com escarro sanguinolento, bronquite e pneumonias de repetição;

- com sintomas em ouvido, nariz e garganta, pois o suco gástrico pode atingir essas regiões ocasionando: rouquidão, pigarro, dor de garanta, sinusite e dor de ouvido;

- com sintomas na boca, por contato do suco gástrico, ocasionando: desgaste do esmalte dentário, mau hálito e aftas.

Quando é refluxo?

Os sintomas descritos anteriormente podem ser confundidos com outros problemas. Assim, quando a pessoa apresenta os sintomas por pelo menos duas vezes por semana, há cerca de quatro a oito semanas, são consideradas possíveis portadoras de doença do refluxo gastroesofágico.

Como fazer o diagnóstico?

O seu médico deve avaliar a necessidade de exames específicos que, associados ou não aos sintomas descritos, estabelecerão o diagnóstico.

A endoscopia é bastante utilizada. A pHmetria é considerado o melhor exames para evidenciar a presença do refluxo gastroesofágico.

Outros exames, em situações clínicas mais específicas podem ser utilizados, como o raio X contrastado de esôfago, exame cintilográfico e manometria.

O refluxo pode complicar?

Sim, pode! Existe uma forte correlação entre o tempo de duração dos sintomas e o aumento do risco para o desenvolvimento de câncer de esôfago (adenocarcinoma do esôfago) e alterações da sua camada interna resultando no que chamamos esôfago de Barrett (considerada uma condição de risco para o desenvolvimento de câncer).

A esofagite (inflamação no esôfago) pode favorecer o sangramento no esôfago e o seu estreitamento (dificultando a passagem do alimento).

TRATAMENTO

O objetivo do tratamento clínico é aliviar os sintomas, cicatrizar as lesões, prevenir as recidivas e as complicações decorrentes do refluxo.

Utilizamos, concomitantemente, as medidas comportamentais e farmacológicas (medicamentosas) para o tratamento.

Medidas comportamentais

As principais medidas comportamentais preconizadas são:

1) Elevar a cabeceira da cama 15 cm. Pela gravidade, isso dificulta o retorno do alimento do estômago para o esôfago. Essa elevação deve ser feita nos pés da cama e não colocando travesseiros para ficar com o tronco mais elevado;

2) Tomar cuidado com o uso de medicações que podem piorar o refluxo (colinérgicos, teofilina, bloqueadores de canal de cálcio, alendronato...);

3) Não deitar nas duas horas seguintes às refeições, pois com o estômago cheio e na horizontal o seu conteúdo pode voltar para o esôfago mais facilmente;

4) Não ingerir refeições com grande volume de alimentos, pois com o estômago mais cheio, o retorno do seu conteúdo para o esôfago é mais fácil;

5) Comer em posição ereta, pois ao comer curvado, além de perdermos um pouco da noção do enchimento do estômago, favorecemos o aumento da pressão no abdômen favorecendo o refluxo;

6) Não utilizar roupas e acessórios que apertem a região abdominal, pois isso pode aumentar a pressão dentro do abdômen favorecendo o refluxo;

7) Fracione as refeições. Com isso você consegue comer menores volumes por refeição;

8) Mastigue bastante os alimentos. Alimentos liquidificados e com mais saliva misturada são menos agressivos às regiões machucadas. A saliva contém uma substância chamada Urogastrona (ou Fator de Crescimento Epidérmico) que favorece o processo de regeneração do trato gastrointestinal e maior proteção contra o ácido do estômago;

9) Não fumar. O cigarro é um dos maiores irritantes do estômago que existem;

10) Manter o peso adequado, pois a obesidade aumenta a pressão dentro do abdômen empurrando o estômago para cima, o que favorece o refluxo;

11) Reduzir ou preferencialmente não utilizar alimentos que reduzem a pressão do esfíncter inferior do esôfago (favorecendo o retorno do conteúdo gástrico): café, mate, chá preto, bebidas alcoólicas, menta, hortelã, chocolate e alimentos gordurosos;

12) Reduzir ou não utilizar alimentos que irritem os locais já com lesão do trato gastrointestinal: condimentos picantes, refrigerantes, suco de frutas ácidas, tomate e outros alimentos ácidos;

13) Evitar alimentos que tenham um esvaziamento gástrico mais lento: alimentos gordurosos, mal mastigados, muito salgados ou doces e chocolate.

14) Evite alimentos que contenham corantes, estabilizantes, aromatizantes... A sua ação sobre o organismo é, muitas vezes, incerta podendo ser agressivos para o estômago e regiões machucadas do esôfago.

15) Se a refeição não estiver muito salgada, evite beber líquidos durante a refeição;

16) Se a refeição estiver salgada, utilize um pouco de líquido junto ou após a refeição;

Medidas Farmacológicas

Utilizamos medicamentos para reduzir a produção de ácido do estômago, ou menos comumente, medicamentos que neutralizam o ácido produzido. O seu uso por 6 a 12 semanas é recomendado.
Medicamentos que aceleram o esvaziamento do estômago também podem ser utilizados.

Cirurgia

Está reservada a situações onde o tratamento clínico não surte o resultado almejado.

 

Fonte: www.alimentacaosemcarne.com.br

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